IA do Google e OpenAI conquistam medalha de ouro em olimpíada de matemática

Renê Fraga
3 min de leitura

Pela primeira vez na história, inteligências artificiais criadas pelo Google e pela OpenAI atingiram uma pontuação de nível ouro na Olimpíada Internacional de Matemática (IMO), uma das competições mais importantes do mundo para jovens talentos da matemática.

Apesar da conquista inédita para os modelos de IA, os humanos ainda levaram a melhor. Cinco participantes alcançaram a pontuação máxima, algo que as máquinas ainda não conseguiram fazer.

O evento, realizado neste mês em Queensland, na Austrália, reuniu 641 estudantes de 112 países, todos com menos de 20 anos.

Cada um enfrentou seis problemas matemáticos de altíssima complexidade, com um tempo total de 4h30 para resolvê-los, o mesmo desafio imposto aos modelos de IA.

Segundo o presidente da IMO, Gregor Dolinar, o sistema do Google DeepMind, baseado no Gemini, atingiu 35 pontos de 42 possíveis, o suficiente para ganhar uma medalha de ouro.

“Podemos confirmar que o Google DeepMind atingiu o tão desejado marco, com soluções que foram claras, precisas e, em muitos casos, fáceis de acompanhar”, afirmou Dolinar. Ele completou: “É muito empolgante ver esse progresso nas capacidades matemáticas dos modelos de IA.”

A OpenAI também anunciou que seu modelo experimental de raciocínio conquistou o mesmo desempenho, validado por ex-medalhistas da própria IMO.

“Nosso resultado alcançou um antigo desafio da IA na mais prestigiada competição de matemática do mundo”, destacou o pesquisador da OpenAI, Alexander Wei, em uma publicação nas redes sociais. “Cada problema foi avaliado por três ex-medalhistas da IMO de forma independente.”

O avanço é notável. No ano passado, o Google já havia participado da competição, mas alcançado apenas pontuação de prata, e com tempo de resolução muito maior.

Desta vez, o modelo Gemini solucionou cinco dos seis problemas dentro do mesmo limite dos humanos, o que mostra um salto significativo em desempenho.

A IMO confirmou que empresas de tecnologia testaram seus modelos de forma privada, usando exatamente os mesmos desafios enfrentados pelos estudantes.

Apesar do entusiasmo, os organizadores alertam que ainda não há como verificar com precisão o quanto de poder computacional foi utilizado ou se houve algum envolvimento humano nas respostas.

Em entrevista recente ao programa 60 Minutes, da CBS, o CEO do Google DeepMind, Demis Hassabis, afirmou:

“Estamos avançando incrivelmente rápido. Acho que estamos em uma curva exponencial de melhorias.” Segundo ele, a IA poderá, em poucos anos, não apenas resolver problemas, mas também “desenvolver um senso de imaginação”.

Por ora, os humanos seguem na frente, mas a distância está diminuindo rapidamente.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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