Google apresenta AlphaEarth, satélite virtual com IA que reimagina o mapeamento da Terra

Renê Fraga
4 min de leitura

Desenvolvido pela equipe do DeepMind, o AlphaEarth Foundations é um sistema de inteligência artificial que atua como um “satélite virtual”.

Ao contrário dos satélites tradicionais, ele não orbita a Terra, mas sim processa uma enorme quantidade de dados para criar mapas detalhados, contínuos e atualizados, mesmo em regiões onde as imagens de satélite são limitadas ou apresentam falhas.

O grande diferencial do AlphaEarth está na sua capacidade de reunir diversas fontes de dados, como imagens ópticas de satélites, sensores de radar, medições de elevação, mapas 3D (LiDAR), dados ambientais e até textos com localização geográfica para criar um retrato digital unificado de toda a superfície terrestre.

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Cada pedaço do planeta, dividido em quadrados de 10×10 metros, recebe um “resumo inteligente” que permite acompanhar mudanças no tempo, como o avanço da vegetação, crescimento urbano ou degradação ambiental.

Essa abordagem inovadora supera muitas limitações dos satélites físicos, que só capturam dados em momentos específicos e podem ser prejudicados por nuvens, clima ou falhas técnicas.

O AlphaEarth, por outro lado, pode preencher lacunas nos dados, prever informações ausentes e produzir mapas sob demanda com alta precisão.

Testes mostraram que o sistema tem uma taxa de erro até 24% menor em comparação com modelos tradicionais e se destaca especialmente em áreas com poucos dados disponíveis, como regiões remotas ou constantemente nubladas.

Além disso, o AlphaEarth Foundations está disponível para todos por meio da plataforma Google Earth Engine, o que democratiza o acesso a dados geoespaciais de alta qualidade.

A tecnologia já está sendo usada por organizações como a MapBiomas no Brasil, que utiliza o sistema para monitorar o desmatamento na Amazônia, e por projetos globais de conservação e agricultura.

Combinando inteligência artificial, dados diversos e acessibilidade, o AlphaEarth marca o início de uma nova era no mapeamento global e no monitoramento do meio ambiente.

Como a inteligência artificial do AlphaEarth entende o planeta em tempo real

Por trás do AlphaEarth está um sistema de inteligência artificial de última geração, capaz de transformar dados brutos de diversas fontes em mapas detalhados e atualizados.

Em vez de depender apenas de imagens de satélite convencionais, o modelo usa um tipo especial de IA chamado modelo fundamental, treinado com uma enorme variedade de informações geoespaciais. Isso permite que ele reconheça padrões e mudanças no ambiente mesmo com poucos dados ou em condições desfavoráveis.

AlphaEarth trabalha com uma arquitetura inovadora chamada “Precisão Espaço-Tempo” (Space Time Precision), que analisa ao mesmo tempo detalhes geográficos, temporais e de resolução.

Assim, ele é capaz de preservar informações locais com precisão, ao mesmo tempo que observa tendências mais amplas ao longo do tempo.

Outro ponto importante é que o sistema também utiliza dados complementares, como textos com localização geográfica, para garantir que os mapas gerados estejam sempre alinhados com o que realmente está acontecendo no mundo.

Além disso, o modelo consegue “prever” ou reconstruir partes faltantes das imagens, graças a técnicas de aprendizado não supervisionado. Mesmo quando há ruído ou falhas nos dados de entrada, ele se mostra confiável e preciso.

E mais: toda essa complexidade foi otimizada para funcionar de forma eficiente, os dados são compactados em vetores pequenos, o que reduz em até 16 vezes o espaço necessário para armazenamento em comparação com sistemas anteriores.

Essa combinação de inteligência, precisão e eficiência torna o AlphaEarth uma ferramenta poderosa para mapear o planeta com um nível de detalhe sem precedentes, inclusive em lugares antes invisíveis aos olhos dos satélites tradicionais.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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