Google apresenta Big Sleep, sua IA caçadora de bugs que já encontrou 20 falhas em softwares populares

Renê Fraga
3 min de leitura

🤖 Principais destaques:

  • Big Sleep, IA desenvolvida pelo Google, identificou 20 vulnerabilidades em softwares de código aberto.
  • As falhas foram descobertas sem intervenção humana, mas revisadas por especialistas antes da notificação.
  • Projeto reforça o avanço das IAs no campo da cibersegurança, apesar de preocupações sobre falsos positivos.

O Google anunciou que sua nova ferramenta de inteligência artificial chamada Big Sleep, voltada para encontrar falhas de segurança em sistemas, já demonstrou resultados concretos: identificou 20 vulnerabilidades em projetos populares de código aberto.

A informação foi compartilhada por Heather Adkins, vice-presidente de segurança do Google, que explicou que os bugs foram detectados principalmente em softwares como a biblioteca de áudio e vídeo FFmpeg e o editor de imagens ImageMagick.

Apesar de os detalhes técnicos não terem sido divulgados, uma prática comum para evitar exploração antes da correção, o Google ressaltou que todas as vulnerabilidades foram descobertas e reproduzidas de forma autônoma pela IA.

Um especialista humano apenas revisou os relatórios antes do envio aos mantenedores dos projetos.

Big Sleep une forças de duas potências do Google: DeepMind e Project Zero

O desenvolvimento do Big Sleep é fruto da colaboração entre a DeepMind, divisão de inteligência artificial do Google, e o Project Zero, grupo de elite focado em encontrar vulnerabilidades em softwares utilizados em larga escala.

Segundo Kimberly Samra, porta-voz da empresa, o sistema atua sozinho durante a fase de investigação e reprodução dos bugs.

A presença de um humano no processo é apenas para garantir a qualidade e a clareza do relatório enviado.

Royal Hansen, vice-presidente de engenharia do Google, afirmou que o Big Sleep representa “uma nova fronteira na descoberta automatizada de vulnerabilidades”, marcando um passo importante rumo a sistemas mais seguros com a ajuda da IA.

Concorrência cresce, mas confiança ainda é um desafio

O Big Sleep se junta a outras ferramentas similares como RunSybil e XBOW, que também buscam automatizar a identificação de vulnerabilidades.

A XBOW, por exemplo, se destacou recentemente por alcançar o topo de um ranking na plataforma HackerOne, especializada em programas de recompensa por bugs.

Entretanto, o uso de IAs para esse tipo de tarefa ainda enfrenta críticas. Manutentores de projetos de código aberto relataram o recebimento de alertas falsos, as chamadas alucinações da IA, que confundem mais do que ajudam.

Vlad Ionescu, CTO da startup RunSybil, reconhece o potencial do Big Sleep, destacando a qualidade do projeto e a experiência do time envolvido, mas também alerta para o excesso de ruído nos relatórios gerados por sistemas automatizados: “Parece ouro, mas é só lixo”, afirmou.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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