Google lança oficialmente Jules, seu assistente de programação com inteligência artificial

Renê Fraga
5 min de leitura

🧠 Principais destaques:

  • Jules, o agente de programação com IA do Google, saiu da fase beta e agora está disponível para o público geral.
  • Ferramenta é capaz de clonar repositórios, trabalhar de forma assíncrona e resolver tarefas de código sozinha.
  • Nova política de uso e privacidade esclarece como dados são utilizados e inclui planos pagos com diferentes limites.

O Google anunciou oficialmente a saída da fase beta do Jules, seu agente de codificação com inteligência artificial, que agora está disponível para todos os usuários.

Alimentado pelo modelo Gemini 2.5 Pro, o assistente é capaz de realizar tarefas de programação de forma autônoma, em máquinas virtuais hospedadas no Google Cloud, enquanto os desenvolvedores se dedicam a outras atividades.

A ferramenta estreou publicamente em maio de 2025, após ser anunciada como projeto experimental do Google Labs em dezembro do ano anterior.

Agora, com uma base sólida de feedback e diversas melhorias, Jules chega ao mercado com planos gratuitos e pagos, prometendo transformar a maneira como interagimos com o código.

Um novo tipo de assistente de programação

Diferente de outras ferramentas de IA para programadores, como Cursor ou Windsurf, o Jules opera de forma assíncrona.

O que significa que ele pode executar tarefas enquanto o usuário está ausente, literalmente. Basta iniciar um processo e fechar o computador. Ao retornar, a tarefa já estará concluída.

Além disso, o Jules possui integração profunda com o GitHub. Ele é capaz de clonar repositórios diretamente em uma máquina virtual e realizar tarefas como correção de bugs, atualizações de código, abertura de pull requests e criação de branches.

O recurso Environment Snapshots, lançado recentemente, permite salvar scripts e dependências como uma espécie de “fotografia” do ambiente, garantindo maior velocidade e consistência na execução das tarefas.

A versatilidade do Jules também foi ampliada durante a fase beta: inicialmente, exigia um repositório pré-existente, mas agora pode começar com um repositório vazio. Isso facilita sua adoção por usuários curiosos ou que desejam experimentar a ferramenta sem código pronto.

Modelos de uso e novos planos de preços

Com a versão oficial, o Google reformulou os limites de uso da ferramenta. O plano gratuito oferece 15 tarefas diárias individuais e até 3 simultâneas, bem abaixo das 60 tarefas disponíveis na fase beta.

Já os planos pagos integram os pacotes Google AI Pro e Ultra, com multiplicadores de uso que chegam a 20 vezes mais tarefas.

De acordo com Kathy Korevec, diretora de produto no Google Labs, a decisão de ajustar os limites foi baseada em dados reais de uso. “Queríamos entender como os desenvolvedores utilizam o Jules no dia a dia e usar essas informações para criar pacotes coerentes”, disse.

A empresa também revisou sua política de privacidade para deixá-la mais clara. Repositórios públicos podem ser usados para treinar os modelos de IA, enquanto os privados não são utilizados — algo que gerou dúvidas nos testes iniciais e agora foi esclarecido na linguagem da política.

Uso crescente em dispositivos móveis e dentro do próprio Google

Durante o período de testes, o Jules registrou 2,28 milhões de acessos em todo o mundo, sendo 45% via dispositivos móveis, segundo dados da SimilarWeb.

A Índia lidera o tráfego, seguida pelos Estados Unidos e Vietnã. Mesmo sem um app dedicado, muitos usuários acessam o serviço pela versão web.

Esse comportamento despertou o interesse do Google em adaptar a ferramenta para o uso mobile. “Estamos analisando cuidadosamente o que as pessoas realmente precisam em dispositivos móveis”, comentou Korevec.

O Jules também já vem sendo utilizado em projetos internos do próprio Google. A diretora afirma que há um “grande esforço para expandir” seu uso dentro da empresa, o que sugere que o agente não é apenas uma curiosidade para o mercado, mas parte da estratégia real de desenvolvimento do Google.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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