Convite no Google Calendar permitia ataque ao Gemini e roubo de dados de usuários

Renê Fraga
3 min de leitura

🧠 Principais destaques:

  • Falha no Google Calendar permitia que convites maliciosos controlassem o assistente Gemini.
  • Ataque podia roubar e-mails, eventos e até controlar dispositivos conectados ao Google Home.
  • Google corrigiu o problema antes que fosse explorado de forma ampla.

Uma vulnerabilidade descoberta por pesquisadores da SafeBreach mostrou que convites do Google Calendar podiam ser usados para enganar o Gemini, o assistente de inteligência artificial do Google, e fazer com que ele executasse ações sem o conhecimento do usuário.

O ataque não exigia que a vítima clicasse em links suspeitos ou baixasse arquivos. Bastava que o usuário interagisse normalmente com o Gemini, por exemplo, perguntando sobre seus compromissos do dia.

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Como o ataque funcionava

O golpe começava com o envio de um convite de evento no Google Calendar. No título desse evento, o invasor escondia um comando malicioso, conhecido como prompt injection.

Quando o usuário pedia ao Gemini para listar seus eventos, o assistente lia o título do evento malicioso como se fosse parte da conversa e executava as instruções.

O que podia incluir abrir sites para capturar o endereço IP da vítima, acessar e-mails, alterar ou apagar eventos do calendário, iniciar chamadas no Zoom e até controlar dispositivos conectados ao Google Home.

Por que o Gemini era vulnerável

O Gemini é integrado a diversos serviços do Google, como Gmail, Calendar e Google Home, e tem permissão para realizar ações nesses sistemas.

Essa integração é útil para o usuário, mas também amplia a superfície de ataque caso comandos maliciosos consigam passar despercebidos.

Segundo os pesquisadores, o ataque podia exigir até seis convites para funcionar de forma discreta.

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O Google Calendar exibe apenas os cinco eventos mais recentes, e o comando malicioso era colocado no último convite para evitar que o usuário o visse facilmente.

O que o Google fez para corrigir

O Google afirmou que corrigiu a falha antes que ela fosse explorada em larga escala, graças à divulgação responsável feita pelos pesquisadores Ben Nassi e sua equipe.

Andy Wen, diretor sênior de segurança do Google Workspace, destacou que a descoberta ajudou a empresa a entender novas formas de ataque e acelerar a implementação de defesas mais avançadas.

A empresa também afirmou que está implantando proteções adicionais para evitar ataques semelhantes no futuro.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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