O que está por trás da oferta da Perplexity para comprar o Chrome

Renê Fraga
4 min de leitura

🧠 Principais destaques:

  • Startup de busca por IA Perplexity fez proposta inesperada para comprar o navegador Chrome do Google.
  • Oferta surge em meio a processo antitruste que pode obrigar o Google a vender o Chrome.
  • Especialistas acreditam que a jogada é mais publicidade do que intenção real de compra.

A Perplexity, uma jovem empresa de busca baseada em inteligência artificial, surpreendeu o mercado ao anunciar uma oferta de US$ 34,5 bilhões para comprar o Chrome, navegador mais usado do mundo e peça-chave do ecossistema Google.

A proposta foi revelada pelo The Wall Street Journal e chega em um momento delicado para o Google, que enfrenta um processo antitruste nos Estados Unidos.

O Departamento de Justiça americano quer que a empresa se desfaça do Chrome como forma de reduzir seu poder no mercado de buscas e publicidade online.

No entanto, o Google já classificou essa exigência como “exagerada” e “radical”.

Por que o Chrome é tão importante

O Chrome não é apenas um navegador. Ele é também um dos principais canais de entrada para o Google Search.

Desde seu lançamento, o Google integrou a barra de endereços (a chamada “omnibox”) com o mecanismo de busca, transformando cada digitação de URL em uma potencial pesquisa.

Essa integração gera bilhões de buscas diárias e, consequentemente, bilhões de dólares em receita publicitária. Além disso, o Chrome coleta dados de navegação que ajudam o Google a exibir anúncios mais relevantes e mais lucrativos.

Para a Perplexity, ter o Chrome significaria acesso direto a uma base gigantesca de usuários e a chance de competir de igual para igual com o Google e outros gigantes da tecnologia.

Mais marketing do que negócio

Apesar do discurso confiante da Perplexity, especialistas duvidam que a compra seja viável. A startup vale cerca de US$ 18 bilhões no papel, ou seja, pouco mais da metade do valor oferecido pelo Chrome.

Além disso, não há sinais de que o Google esteja disposto a vender. Neil Chilson, ex-diretor de tecnologia da Comissão Federal de Comércio dos EUA, classificou a proposta como “um truque publicitário inteligente” sem impacto real no processo judicial.

A Perplexity, por sua vez, afirma que já tem investidores prontos para financiar a compra e promete não trocar o buscador padrão do Chrome (o Google) de forma oculta.

Curiosamente, a empresa lançou recentemente seu próprio navegador, chamado Comet.

O que a Perplexity quer com isso?

Mesmo que a compra nunca aconteça, a jogada coloca a Perplexity no centro das atenções.

Em um momento em que a inteligência artificial pode redefinir quem serão os próximos “Googles” e “Apples” do mercado, visibilidade é um ativo valioso.

O CEO da Perplexity, Aravind Srinivas, tem usado entrevistas, podcasts e redes sociais para posicionar a empresa como uma candidata séria na corrida da IA.

A proposta pelo Chrome parece seguir essa mesma estratégia: mostrar que a startup quer jogar no mesmo campo dos gigantes, mesmo que ainda esteja longe de ter o mesmo tamanho.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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