Por que o Google Maps não consegue traçar rotas na Coreia do Sul?

Renê Fraga
3 min de leitura

🗺️ Principais destaques:

  • Google Maps não oferece rotas nem trânsito em tempo real na Coreia do Sul.
  • Restrições são motivadas por preocupações com segurança nacional.
  • Turistas precisam recorrer a aplicativos locais como Naver e Kakao.

O Google Maps é praticamente onipresente no planeta, mas há um lugar onde ele não consegue guiar você de um ponto a outro: a Coreia do Sul.

No país, o aplicativo funciona de forma bastante limitada, sem rotas de carro, bicicleta ou a pé, e sem informações de trânsito em tempo real. Até o Apple Maps enfrenta as mesmas restrições.

A razão para isso não é falha técnica, mas sim uma decisão estratégica do governo sul-coreano, que há anos mantém regras rígidas sobre o uso e a exportação de dados cartográficos detalhados.

Segurança nacional acima da conveniência

A Coreia do Sul proíbe que dados completos de seus mapas sejam enviados para servidores fora do país.

O argumento é que informações precisas sobre ruas, estradas e terrenos poderiam ser usadas por adversários para localizar instalações militares e outros pontos sensíveis.

Por isso, empresas estrangeiras como Google e Apple não conseguem oferecer no país os mesmos recursos que disponibilizam em outros lugares.

O Google, por exemplo, licencia mapas de um servidor local, mas só pode mostrar pontos de interesse, como restaurantes e atrações turísticas, sem calcular rotas.

O que os turistas fazem para se locomover

Para quem visita a Coreia do Sul, a solução é recorrer a aplicativos locais como Naver Map e Kakao Map.

Além de mapas completos, eles oferecem navegação passo a passo, informações de transporte público e até integração com outros serviços, como mensagens e música.

Esses apps são tão populares que, mesmo entre moradores, o Google Maps é visto mais como uma ferramenta para buscar lugares do que para se deslocar.

O impasse entre Google e governo sul-coreano

O Google tenta há anos convencer as autoridades a liberar o envio de dados para seus servidores internacionais.

A empresa afirma que já propôs usar uma versão do mapa sem informações confidenciais, mas o governo continua cauteloso.

O pedido mais recente, feito em 2025, teve a decisão adiada para outubro, após já ter sido postergado em maio. Tentativas anteriores, em 2007 e 2016, foram negadas.

Enquanto isso, os Estados Unidos pressionam a Coreia do Sul, alegando que a restrição cria uma barreira comercial para empresas americanas.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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