🚫 Principais destaques:
- Canal caiu de 807 para 5 vídeos em 13/08, segundo SocialBlade; visualizações totais despencaram em quase 700 milhões no dia seguinte.
- YouTube diz que a medida seguiu “longa análise” por violar políticas de segurança infantil; monetização já estava suspensa desde o início de agosto.
- Vídeos foram colocados como privados, não excluídos, permitindo possível reativação; Justiça da Paraíba suspendeu redes e proibiu ganhos com conteúdos envolvendo menores.
O canal de Hítalo José Santos Silva, o influenciador Hytalo Santos, passou de 807 para apenas cinco vídeos em 13/08, de acordo com dados públicos do SocialBlade (via Revista Oeste).
Em 14/08, o total de visualizações acumuladas caiu de cerca de 1,6 bilhão para menos de 950 milhões, redução próxima de 700 milhões, consistente com a mudança de status dos vídeos para privado.
Os poucos vídeos remanescentes são clipes musicais em parceria com artistas e hospedados nos canais desses músicos.
Registros indicam que os conteúdos não foram deletados, mas tornados privados, o que tecnicamente permite reativação futura.
Monetização e decisões judiciais
Apesar de registrar cerca de 10 mil novos inscritos em 12/08, o canal já aparecia com ganhos estimados zerados desde o início de agosto, refletindo a suspensão de monetização previamente anunciada pelo YouTube.
Em 12/08, a Justiça da Paraíba atendeu a pedido do Ministério Público e determinou: suspensão dos perfis de Hytalo em redes sociais, proibição de contato com menores citados nas investigações e desmonetização de conteúdos envolvendo crianças e adolescentes.
A decisão também abriu caminho para busca e apreensão de equipamentos, cumprida em 13/08, quando a casa do influenciador em João Pessoa foi alvo de operação; segundo o g1 PB, o imóvel estava vazio e com uma máquina de lavar ligada, e o condomínio informou que ele havia deixado o local levando equipamentos.
O MP investiga ainda eventual concessão de “benefícios” a familiares em contexto de emancipação de adolescentes.
Hytalo é investigado desde 2024 por suposta exploração de menores em conteúdos com conotação adulta. Ele nega as acusações e afirma que as gravações eram acompanhadas pelos responsáveis.
Por que o YouTube agiu
O YouTube declarou que a remoção decorreu de uma “longa análise” por violações às políticas de segurança infantil, que proíbem conteúdo que coloque em risco o bem‑estar emocional ou físico de menores, incluindo sexualização e atos perigosos.
Segundo a empresa, ferramentas internas já haviam identificado problemas no canal; medidas anteriores incluíram desmonetização total e restrições de idade em vídeos específicos.
Em 2024, a plataforma afirma ter removido quase 20 milhões de vídeos globalmente por infringirem regras de segurança infantil.
Nos conteúdos de Hytalo, adolescentes participavam de dinâmicas com beijos, presença em festas com consumo de álcool e coreografias sensuais, conforme registros públicos e relatos colhidos pelo MP.
A resposta do YouTube foi tardia
Embora o YouTube cite uma “longa análise”, o volume e a gravidade dos conteúdos relatados sugerem que sistemas de detecção e escalonamento deveriam ter atuado mais cedo, reduzindo a exposição, restringindo a recomendação e cortando a monetização enquanto as investigações avançavam.
O caso reacendeu o debate sobre responsabilização das plataformas e impulsionou ações de autoridades: além das medidas judiciais na Paraíba, houve pedidos de banimento e regulamentação mais rígida das redes em casos de adultização.
Novas discussões no Congresso podem impor deveres de moderação e multas a empresas que falhem em proteger crianças e adolescentes.
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