Estudo aponta estabilidade no tráfego do Google para sites de notícias, mas dados levantam dúvidas

Renê Fraga
3 min de leitura

🔎 Principais destaques:

  • Chartbeat afirma que o tráfego vindo do Google para grandes veículos de notícias não caiu nos últimos anos.
  • O estudo inclui o Google Discover, o que pode inflar os números e mudar a interpretação.
  • Redes sociais seguem em queda como fonte de visitas, mas a discussão sobre o impacto da IA na busca continua em aberto.

A chegada dos AI Overviews em 2024 levantou um alerta entre editores de sites: se o Google entrega respostas prontas na própria busca, por que o usuário clicaria no link?

Diversos levantamentos independentes apontaram queda no tráfego, mas agora surge um estudo da Chartbeat que vai na contramão dessa narrativa.

Segundo a empresa, que analisou 565 sites de notícias dos EUA e do Reino Unido desde 2019, o tráfego vindo do Google se manteve estável ao longo dos anos.

Em julho de 2025, a fatia de visitas originadas em buscas estava em 19,03%, número próximo ao registrado em 2020.

O detalhe que muda tudo: Discover

O ponto crítico é que o estudo não separa o tráfego da Busca tradicional do tráfego do Google Discover.

Para quem não conhece, o Discover é aquele feed de recomendações que aparece no app do Google e em celulares Android. Ele funciona mais como uma rede social de notícias do que como um mecanismo de busca.

Ao incluir o Discover nos números, a Chartbeat pode estar suavizando o impacto real da IA na Busca. Afinal, se o tráfego da Busca caiu, mas o Discover compensou, o resultado final parece estável.

O que dá ao Google um argumento conveniente para dizer que “nada mudou”, quando na prática pode ter havido uma redistribuição.

O que realmente preocupa os editores

Outro dado chama atenção: o Google continua sendo responsável por 96,2% do tráfego de busca para os sites analisados.

Ou seja, mesmo com a ascensão da IA, a dependência dos veículos em relação ao Google segue praticamente absoluta.

Enquanto isso, o tráfego vindo de redes sociais como Facebook e X despencou. Para os editores, isso cria um cenário de concentração ainda maior: se o Google muda algo no algoritmo ou na forma de exibir resultados, o impacto pode ser devastador.

O estudo da Chartbeat, portanto, não encerra a discussão. Pelo contrário, reforça a necessidade de olhar com mais cuidado para os números e entender se a estabilidade é real ou apenas uma ilusão criada pela soma de fontes diferentes.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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