Google quer data centers movidos a reatores de sal fundido até 2030

Renê Fraga
3 min de leitura

☢️ Principais destaques:

  • Google fechou acordo para usar energia de um reator nuclear experimental nos EUA.
  • A tecnologia usa sal fundido em vez de água, prometendo mais segurança e menor custo.
  • O projeto pode marcar o início de uma nova fase da energia nuclear no país.

O Google anunciou um passo importante em sua estratégia de energia limpa: a empresa vai contar com eletricidade de um reator nuclear de nova geração que está sendo construído em Oak Ridge, Tennessee, nos Estados Unidos.

O acordo foi firmado com a Tennessee Valley Authority (TVA), uma das maiores companhias públicas de energia do país.

Esse será o primeiro contrato de compra de energia desse tipo assinado por uma grande concessionária americana.

A expectativa é que o reator, desenvolvido pela empresa de engenharia Kairos Power, comece a operar em 2030 e forneça eletricidade para a rede que abastece data centers do Google no Tennessee e no Alabama.

Como funciona essa nova tecnologia

Diferente dos reatores tradicionais, que usam água como sistema de resfriamento, o projeto da Kairos Power utiliza sal fundido.

Esse material tem um ponto de ebulição muito mais alto que a água, o que permite que o reator opere em baixa pressão. Isso reduz a necessidade de estruturas de contenção gigantes e caras, tornando a energia nuclear potencialmente mais barata e segura.

O reator em questão, chamado Hermes 2, terá capacidade de 50 megawatts. Para comparação, os 94 reatores nucleares em operação nos EUA somavam juntos cerca de 97 mil megawatts em 2024.

O Google e a Kairos têm planos de chegar a 500 megawatts de nova capacidade nuclear até 2035.

Por que isso importa para o Google e para o futuro da energia

O consumo de energia do Google cresce rapidamente, especialmente com a expansão da inteligência artificial, que exige enormes quantidades de eletricidade para treinar e operar modelos.

Ao investir em energia nuclear de nova geração, a empresa busca reduzir sua dependência de combustíveis fósseis e equilibrar suas metas de sustentabilidade.

Além da eletricidade em si, o Google também receberá certificados de energia limpa associados ao projeto. Esses certificados funcionam como uma espécie de “comprovante ambiental”, permitindo que a empresa declare que está compensando parte de suas emissões de carbono.

Se o projeto for bem-sucedido, pode abrir caminho para uma nova era da energia nuclear nos Estados Unidos, que há décadas enfrenta dificuldades para competir com fontes mais baratas como gás natural, solar e eólica.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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