Ecosia quer “cuidar” do Chrome por 10 anos e não é tão maluco quanto parece

Renê Fraga
3 min de leitura

🧠 Principais destaques:

  • Ecosia propôs à Justiça dos EUA assumir a gestão do Chrome por uma década, sem comprá-lo.
  • A ideia surge em meio ao processo antitruste que pode obrigar o Google a se desfazer do navegador.
  • O plano prevê usar bilhões de dólares em projetos ambientais, mantendo parte da receita com o Google.

O que está acontecendo com o Chrome

O Google está no centro de um processo histórico nos Estados Unidos. Em 2024, a Justiça decidiu que a empresa mantém um monopólio ilegal em buscas e publicidade online.

Agora, o juiz Amit Mehta precisa definir quais serão as punições. Uma das opções em discussão é obrigar o Google a vender o Chrome, navegador usado por mais de 60% dos internautas no mundo.

Enquanto gigantes como OpenAI e Perplexity já demonstraram interesse em comprar o navegador, a proposta mais inesperada veio da Ecosia, buscador sem fins lucrativos criado em Berlim.

Em vez de comprar, a empresa quer apenas “administrar” o Chrome por 10 anos, em um modelo que chama de stewardship (ou “tutela”).

O plano da Ecosia

A Ecosia acredita que o Chrome pode gerar até 1 trilhão de dólares na próxima década.

Pela proposta, 60% dessa receita ficaria sob sua gestão e seria direcionada a projetos ambientais, como reflorestamento, proteção de florestas tropicais, combate a poluidores e até investimentos em inteligência artificial sustentável.

Os outros 40%, algo em torno de 400 bilhões de dólares, continuariam com o Google. A empresa também manteria a propriedade intelectual do navegador e poderia seguir como buscador padrão.

Além disso, a Ecosia se comprometeu a manter a equipe do Chrome empregada.

Por que a proposta da Ecosia importa

A proposta da Ecosia não é apenas sobre dinheiro.

Ela tenta abrir espaço para uma alternativa às soluções tradicionais de processos antitruste, que geralmente envolvem apenas a venda de ativos para outras grandes empresas de tecnologia.

Na visão do CEO Christian Kroll, isso só reforçaria a concentração de poder.

Ao colocar um ator sem fins lucrativos no centro da discussão, a Ecosia quer mostrar que é possível pensar em modelos diferentes, que beneficiem não apenas o mercado, mas também causas globais como o meio ambiente.

“Temos histórico de transformar ideias impossíveis em realidade”, disse Kroll.

Mesmo que a proposta não seja aceita, ela pode influenciar o debate sobre o futuro do Chrome e sobre como lidar com o poder das big techs.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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