Tráfego de sites de notícias despenca nos EUA e Google não é o único culpado

Renê Fraga
3 min de leitura

📰 Principais destaques:

  • Quase todos os grandes sites de notícias dos EUA perderam audiência em julho.
  • Inteligência artificial e Google influenciam, mas não explicam sozinhos a queda.
  • Mudança de hábitos, excesso de oferta e paywalls estão entre os principais fatores.

Nos últimos meses, o tráfego dos maiores sites de notícias dos Estados Unidos caiu de forma significativa.

Segundo dados da Similarweb compilados pelo PressGazette, apenas 6 dos 50 principais veículos digitais do país registraram crescimento em julho de 2025.

A maioria enfrentou quedas de um dígito ou até mesmo de dois dígitos em comparação com o mesmo período do ano passado.

O New York Times liderou em número de visitas, com 462 milhões, mas ainda assim caiu 7% em relação a 2024. Já a CNN perdeu 38% e a Fox News 26%.

Entre os maiores tombos estão Forbes (-50%), Daily Mail (-44%) e Washington Post (-40%). Do outro lado, alguns poucos veículos conseguiram crescer, como o India Times (+46%) e o Substack (+40%).

Não é só culpa da inteligência artificial

Nos últimos meses, muito se falou sobre o impacto da inteligência artificial generativa, como o ChatGPT e os resumos de IA do Google, no tráfego de sites de notícias.

Mas os dados mostram que a situação é mais complexa. Um exemplo é o da BBC, que lançou um paywall nos EUA e viu sua audiência cair 16% em um ano, além de perder cinco posições no ranking.

O que mostra que barreiras de acesso e mudanças de estratégia também pesam no resultado.

O mercado está saturado

Especialistas apontam que o consumo de notícias online pode ter atingido um pico em 2024. Hoje, cada clique é disputado em um cenário de excesso de oferta de conteúdo.

Além disso, os hábitos de leitura mudaram: muitos usuários preferem receber informações em redes sociais, newsletters ou aplicativos de mensagens, em vez de acessar diretamente os sites.

Essa fragmentação da atenção torna a competição mais acirrada. Para se manterem relevantes, os veículos precisam investir em qualidade, diferenciação e presença em múltiplos canais.

O papel do Google continua central

Apesar da queda geral, o Google segue sendo a principal fonte de tráfego para os sites de notícias.

Um dado importante é que o Google Discover já ultrapassou a busca tradicional como maior gerador de visitas.

Desta forma, os veículos estão cada vez mais dependentes das escolhas do algoritmo do Google para alcançar leitores.

Enquanto isso, acessos diretos e vindos de redes sociais continuam em declínio, reforçando a centralidade do Google no ecossistema de distribuição de notícias.

✨ Curtiu este conteúdo?

O GDiscovery está aqui todos os dias trazendo informações confiáveis e independentes sobre o universo Google - e isso só é possível com o apoio de pessoas como você. 🙌

Com apenas R$ 5 por mês, você ajuda a manter este trabalho no ar e leva informação de qualidade para ainda mais gente!

Clique aqui e faça parte da nossa rede de apoiadores.

Seguir:
Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
Nenhum comentário