Google alerta sobre ataque, mas não pediu troca de senhas do Gmail

Renê Fraga
3 min de leitura

🧠 Principais destaques:

  • O incidente envolveu um banco de dados do Salesforce usado pelo Google, não as contas pessoais do Gmail.
  • Hackers usaram as informações para criar campanhas de phishing e golpes por telefone.
  • O Google recomenda reforçar a segurança, mas não exigiu que todos os usuários troquem suas senhas.

O que realmente aconteceu

Nos últimos dias, manchetes chamaram a atenção ao falar em um suposto pedido do Google para que todos os 2,5 bilhões de usuários do Gmail trocassem suas senhas.

A informação gerou preocupação, mas não corresponde exatamente ao que a empresa comunicou oficialmente.

O que ocorreu foi um ataque direcionado a um banco de dados do Salesforce, usado internamente pelo Google para gerenciar contatos de negócios e potenciais anunciantes.

Esse banco não continha senhas de usuários comuns do Gmail. O grupo de hackers conhecido como ShinyHunters conseguiu acesso se passando por suporte técnico e, a partir daí, extraiu informações de contato.

Como os golpistas estão agindo

Com esses dados em mãos, os criminosos passaram a criar e-mails e até ligações telefônicas que parecem vir do próprio Google.

Essa prática é chamada de phishing (quando ocorre por e-mail) e vishing (quando ocorre por telefone). O objetivo é enganar a vítima para que ela entregue informações sensíveis, como senhas ou códigos de autenticação.

Além disso, o Google confirmou que tokens de autenticação ligados a uma integração chamada Drift Email foram comprometidos.

Por precaução, a empresa revogou esses acessos e suspendeu temporariamente a conexão entre Gmail e Salesforce.

O que o Google recomenda aos usuários

Apesar do barulho, o Google não pediu que todos os usuários do Gmail troquem suas senhas. A orientação oficial é reforçar a segurança das contas com medidas como:

  • Ativar autenticação em duas etapas sem depender de SMS, preferindo aplicativos autenticadores ou chaves físicas.
  • Usar passkeys, que funcionam com biometria (impressão digital ou reconhecimento facial) e não podem ser copiadas facilmente.
  • Conferir alertas de login e evitar clicar em links suspeitos recebidos por e-mail.

Trocar a senha continua sendo uma boa prática se o usuário desconfiar de alguma atividade estranha, mas não há um pedido global para que todos façam isso agora.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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