Estudo mostra que IA gera quase 3 vezes mais links quebrados que o Google

Renê Fraga
3 min de leitura

Principais destaques:

  • Pesquisa com 16 milhões de links revela que assistentes de IA criam muito mais URLs inexistentes do que o Google.
  • ChatGPT lidera o ranking de “links fantasmas”, enquanto o Google mantém a taxa mais baixa entre os grandes players.
  • Apesar do problema, o impacto no tráfego dos sites ainda é pequeno, mas pode crescer com o uso crescente da IA.

O que a pesquisa descobriu

Um estudo da Ahrefs analisou 16 milhões de URLs e confirmou algo que o Google já havia previsto: os assistentes de inteligência artificial estão enviando usuários para páginas inexistentes com muito mais frequência do que o buscador tradicional.

Enquanto o Google apresenta apenas 0,15% de links quebrados entre os resultados clicados, o ChatGPT chega a 1%. Quando se consideram todos os links mencionados, mesmo sem cliques, a taxa sobe para 2,38%.

Outros assistentes também apresentaram falhas: Claude (0,58%), Copilot (0,34%), Perplexity (0,31%) e Gemini (0,21%). O melhor desempenho foi do Mistral, com apenas 0,12%, mas ele também gera pouco tráfego para sites.

Segundo a pesquisa, existem dois motivos principais. O primeiro é que algumas páginas realmente existiram no passado, mas foram removidas ou alteradas.

Como muitos modelos de IA não buscam informações em tempo real, acabam sugerindo endereços desatualizados.

O segundo motivo é mais curioso: a IA simplesmente inventa URLs que parecem plausíveis. Por exemplo, no site da própria Ahrefs, foram sugeridos links como “/blog/internal-links/” e “/blog/newsletter/”, que nunca existiram, mas soam como páginas reais.

Impacto real para os sites

Apesar de parecer um problema grave, o impacto no tráfego é limitado. Hoje, os assistentes de IA representam apenas 0,25% das visitas a sites, enquanto o Google responde por 39,35%.

Ainda assim, há um risco de longo prazo. Como 74% das novas páginas publicadas já contêm conteúdo gerado por IA, links falsos podem acabar sendo indexados por mecanismos de busca, espalhando o problema.

O próprio John Mueller, do Google, já havia alertado em março que veríamos um aumento moderado de links inventados nos meses seguintes.

Ele recomendou que os sites invistam em páginas 404 mais úteis e só criem redirecionamentos quando houver tráfego significativo para URLs falsas.

O que esperar daqui para frente

Para a maioria dos sites, a recomendação é simples: preparar boas páginas de erro e monitorar os acessos. O problema ainda é pequeno, mas pode crescer à medida que mais pessoas usam IA para buscar informações.

Se a previsão de Mueller estiver correta, a tendência é que os próprios serviços de IA melhorem no tratamento de URLs, reduzindo a criação de links fantasmas.

Até lá, cabe aos sites se adaptarem sem exagerar nas correções.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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