AlphaEarth: A nova IA do Google que enxerga o planeta com olhos de 64 dimensões

Renê Fraga
3 min de leitura

Principais destaques:

  • Novo modelo de inteligência artificial do Google consegue unificar diferentes dados de satélites em uma visão única e detalhada do planeta.
  • Tecnologia pode identificar mudanças sutis no uso da terra e ecossistemas com precisão de 10 metros.
  • Ferramenta já está sendo usada por universidades, ONGs e agências da ONU para monitorar agricultura, florestas e ecossistemas.

O que é o AlphaEarth Foundations

O Google DeepMind apresentou um novo modelo de inteligência artificial chamado AlphaEarth Foundations, criado para lidar com um desafio antigo: a enorme quantidade de dados de satélites que circulam todos os dias em órbita.

Essas imagens e leituras ambientais, embora úteis, são produzidas com diferentes formatos, sensores e momentos no tempo, o que torna difícil transformá-las em uma visão completa da Terra.

O AlphaEarth funciona como um “satélite virtual”. Ele combina imagens ópticas, radares capazes de atravessar nuvens, leituras atmosféricas, mapas de elevação e outros dados ambientais em uma única representação coerente do planeta.

É como montar um quebra-cabeça com peças vindas de diferentes fontes, criando uma fotografia clara e atualizada mesmo em lugares de difícil observação, como a Antártida ou regiões tropicais sempre cobertas por nuvens.

Como essa IA enxerga a Terra

O sistema trata cada pedaço do planeta em quadrados de 10 metros por 10 metros. Para cada quadrado, ele gera uma representação altamente detalhada, com 64 dimensões de informação.

Enquanto o modelo 3D tradicional oferece latitude, longitude e elevação, o AlphaEarth adiciona dados sobre aparência da área, condições ambientais e como aquele espaço muda ao longo do tempo.

Isso permite, por exemplo, acompanhar diferentes estágios de plantio e colheita no Equador, mapear áreas de desmatamento no Brasil ou classificar ecossistemas em risco.

Além disso, o modelo consegue armazenar essas informações de modo muito mais eficiente, consumindo 16 vezes menos espaço de armazenamento do que outros sistemas semelhantes.

Para quem e para quê serve

O Google anunciou que os dados gerados pelo AlphaEarth estarão disponíveis no Google Earth Engine com “retratos anuais” da Terra de 2017 a 2024.

O que soma mais de 1,4 trilhão de pontos de dados por ano, prontos para consulta sem tratamento adicional.

Mais de 50 organizações ao redor do mundo já testaram a tecnologia. Entre elas estão a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), além de universidades como Stanford e Oregon State.

No Brasil, o grupo MapBiomas já utiliza a ferramenta para acompanhar mudanças em áreas de floresta e lavouras.

O potencial é enorme: monitorar incêndios florestais em tempo real, acompanhar o nível de reservatórios de água, mapear expansão urbana e até ajudar governos a tomar decisões ambientais.

Ao mesmo tempo, especialistas alertam que, apesar dos avanços, a qualidade da análise depende sempre da qualidade inicial dos dados coletados pelos satélites.

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Seguir:
Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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