Google tenta esclarecer polêmica: “falávamos de publicidade na web aberta, não da web como um todo”

Renê Fraga
4 min de leitura

✨ Principais destaques:

  • Após críticas, executivo do Google explicou que a frase sobre “declínio da web” se referia apenas à publicidade display na web aberta.
  • Segundo a empresa, orçamentos de anunciantes migram para onde as pessoas passam mais tempo: streaming, mídia de varejo e novos formatos digitais.
  • Apesar do esclarecimento, especialistas apontam que a contradição prejudica a confiança no discurso público do Google.

A declaração do Google em documentos judiciais de que a web estaria em “rápido declínio” gerou forte repercussão entre editores e profissionais de marketing digital.

A frase parecia contradizer a narrativa pública de crescimento e vitalidade da web defendida repetidas vezes por executivos da empresa.

Diante da controvérsia, Dan Taylor, Vice-Presidente Global de Ads do Google, recorreu ao X (antigo Twitter) para oferecer uma explicação.

Segundo ele, a declaração feita no tribunal não dizia respeito ao futuro da web em si, mas sim a um segmento específico: a publicidade display na web aberta.

O que o Google quis dizer

Na prática, o executivo explicou que o contexto se perdeu. Para Taylor, o que está em declínio não é o ecossistema de sites e conteúdo, mas sim a fatia de mercado da publicidade tradicional exibida em banners e displays em páginas abertas.

Ele destacou que os orçamentos de marketing tendem a se deslocar para onde está a atenção do público e onde os anunciantes percebem maior retorno.

Hoje, esses espaços incluem plataformas de streaming (Connected TV), mídia de varejo e formatos mais interativos baseados em inteligência artificial.

A posição oficial do Google, segundo Taylor, é que a web continua sendo essencial. A transição acontece na forma de como os anúncios são vendidos e exibidos, e não no “fim da web aberta”, como parte da reação inicial interpretou.

A crítica que permanece

Mesmo com o esclarecimento, a fala gerou desconfiança.

No tribunal, o Google utilizou a narrativa de “declínio acelerado” para evitar uma possível decisão de desmembramento no setor de anúncios. Já para o público, a versão otimista continua sendo de crescimento e prosperidade.

Para profissionais de SEO e mídia digital, a distinção entre “declínio da publicidade display na web aberta” e “declínio da web” deveria ter ficado mais clara desde o início.

Muitos avaliam que a empresa perde credibilidade ao modular seu discurso conforme a audiência.

O que esperar daqui em diante

O episódio expõe não apenas a fragilidade da publicidade tradicional na web aberta, mas também o quanto o Google está pressionado por transformações no mercado e pela própria inteligência artificial.

Enquanto executivos projetam otimismo, a realidade identificada nos bastidores mostra um cenário em que anunciantes direcionam cada vez mais recursos para outros ecossistemas.

O desafio do Google será provar que, mesmo com a fragmentação de canais de mídia, consegue manter o equilíbrio entre inovação em anúncios, preservação da web aberta e apoio aos editores que nela ainda dependem.

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Seguir:
Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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