Se a web aberta declinar de vez: será o fim dos sites como conhecemos?

Renê Fraga
4 min de leitura

✨ Principais destaques:

  • Com a ascensão da inteligência artificial, navegadores poderão deixar de ser “portas para páginas” e se tornar assistentes autônomos.
  • O modelo de publicar conteúdo pode mudar radicalmente: em vez de hospedar sites, criadores podem alimentar sistemas de IA diretas.
  • O futuro pode trazer uma internet sem “endereços” ou “links”, mas sim com respostas construídas em tempo real.

A discussão sobre o futuro da web aberta ganhou força após um novo episódio envolvendo o Google e seu discurso aparentemente contraditório.

Mas olhando além da polêmica momentânea, fica a questão: e se, de fato, a web aberta estiver em declínio?

Afinal, os sinais de transformação são cada vez mais claros. Navegadores evoluem rapidamente para se tornarem interfaces dominadas por inteligência artificial.

O modo de consumir e produzir conteúdo na internet, baseado em sites, links e buscas, pode ser substituído por algo fundamentalmente novo.

Em um cenário radical, navegadores não seriam mais pontos de acesso a milhões de páginas, mas plataformas de IA que respondem instantaneamente ao que precisamos, sem que o usuário precise visitar site algum.

Já começamos a ver testes em que respostas completas são geradas diretamente no buscador, dispensando o clique em links.

A próxima etapa poderia ser uma fusão total: um navegador que se comporta como um grande assistente pessoal, capaz de criar, resumir e conectar dados em tempo real, sem precisar carregar visualmente páginas da web.

Esse modelo diminuiria drasticamente a importância de domínios, SEO e até mesmo da noção clássica de “navegar na internet”.

Publicar não seria mais “ter um site”

Do outro lado da moeda, surge a dúvida: como será “colocar algo na internet” nesse novo ambiente?

Em vez de registrar um domínio e manter uma página, criadores de conteúdo e marcas possivelmente alimentarão diretamente modelos de IA com informações, metadados e arquivos.

A web não seria composta por páginas interligadas, mas por bases de dados gigantescas que os algoritmos conseguem consultar e transformar em respostas personalizadas.

Nesse contexto, produzir conteúdo seria muito menos sobre design e hospedagem e muito mais sobre formato de dados e integridade das fontes.

Será que ainda precisaremos de sites?

A pergunta fica inevitável: se a open web perder espaço, ainda haverá necessidade de sites como conhecemos?

Talvez sim, como repositórios de confiança e transparência. Sites próprios podem continuar servindo como “fonte primária” para validar informações, mesmo que a maioria das interações venha via IA.

Ou seja, páginas poderiam ser mais voltadas à referência e credibilidade do que ao tráfego em massa.

Para negócios, isso implicaria em repensar o papel da presença digital, menos focada em visitas, mais voltada a como sua marca é entendida e interpretada por algoritmos.

Uma internet em transição

O declínio da web aberta, caso se confirme, não significa o fim da internet, mas sim uma mudança de paradigma.

Onde hoje navegamos com cliques e links, amanhã poderemos interagir com assistentes conversacionais que processam tudo em segundo plano.

Esse futuro levanta dilemas profundos:

  • Como garantir pluralidade de vozes se a mediação é feita por poucos sistemas de IA?
  • Como monetizar conteúdo sem o tráfego convencional?
  • Como assegurar que os dados consultados por IA são precisos e confiáveis?

O que é certo é que, assim como a web dos anos 90 parecia irreconhecível para quem vive num mundo de apps e redes sociais, a internet de daqui a 10 anos pode ser algo que ainda estamos apenas ensaiando imaginar.

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Seguir:
Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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