Google adota modelo de risco para atualizar Android e promete proteção mais eficiente

Renê Fraga
4 min de leitura

Principais destaques:

  • Atualizações de segurança do Android deixam de reunir todos os consertos mensais e passam a priorizar vulnerabilidades de risco imediato.
  • Fabricantes de celulares terão mais facilidade para liberar patches com essa nova lógica.
  • Usuários podem notar que alguns meses não terão atualizações visíveis, mas os grandes pacotes trimestrais trarão dezenas de correções.

Como era antes: tudo junto no pacote mensal

Por 10 anos, o Google publicou todo mês o Android Security Bulletin, documento oficial com a lista de falhas corrigidas.

Mesmo quando o próprio Google ainda não lançava o patch para celulares Pixel, o boletim saía pontualmente.

A lógica era simples: agrupar todas as vulnerabilidades globais em pacotes mensais para que fabricantes (como Samsung, Motorola e Xiaomi) pudessem preparar as atualizações.

Esse processo deixava o ecossistema mais organizado, mas gerava sobrecarga técnica para os fabricantes, que muitas vezes tinham dificuldade em aplicar todos os consertos de uma só vez — especialmente em celulares intermediários e de entrada.


O que mudou: risco acima da burocracia

A partir de julho de 2025, o Google introduziu o que chama de “Risk-Based Update System” (Sistema de Atualização Baseado em Risco).

Na prática, isso significa que apenas falhas consideradas “de risco imediato” entram nos boletins mensais. São casos como vulnerabilidades já exploradas por hackers ou que fazem parte de ataques em andamento.

O restante das falhas continua sendo corrigido, mas será agrupado em boletins trimestrais muito maiores (março, junho, setembro e dezembro). Isso explica por que:

  • Julho de 2025 não teve nenhuma vulnerabilidade listada de forma oficial.
  • Setembro de 2025 trouxe impressionantes 119 falhas corrigidas de uma só vez.

Com isso, fabricantes ganham mais tempo e flexibilidade para testar e liberar atualizações de forma estável, sem pressionar toda a cadeia mensalmente.


O impacto para quem usa Android no dia a dia

Para a maioria dos usuários, nada muda na prática:

  • Se seu celular já recebe atualizações mensais, elas continuam acontecendo.
  • Se você só recebe atualizações trimestrais, elas se tornam ainda mais relevantes, já que concentram a grande parte das correções.

Por outro lado, especialistas em privacidade, como os desenvolvedores do GrapheneOS, apontam um risco: dar meses de antecedência para que fabricantes analisem os patches pode aumentar a chance de informações vazarem antes da liberação pública.

Até agora, esse problema é apenas teórico, mas não impossível.

Outro efeito colateral é que ROMs personalizadas, que dependem do código aberto do Android (AOSP), não terão mais como gerar pacotes mensais, apenas trimestrais, já que o Google também deixou de liberar o código-fonte com essa frequência.


💡 O novo modelo mostra um avanço pragmático: em vez de tentar consertar tudo ao mesmo tempo, o Google separa as falhas entre urgentes e não urgentes.

Assim, fabricantes podem ser mais ágeis em situações críticas e mais estáveis nas correções de rotina.

Em resumo, nem todo mês trará novidades visíveis para o usuário, mas os grandes pacotes trimestrais passam a ser os mais importantes para garantir a segurança do Android.

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Seguir:
Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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