Google é acusado de ativar secretamente o Gemini, sua IA, em contas do Gmail e outros apps

Renê Fraga
3 min de leitura

Principais destaques:

  • Usuários afirmam que o Google ativou o assistente de IA Gemini sem consentimento em serviços como Gmail, Chat e Meet.
  • A ação coletiva alega violação da Lei de Privacidade da Califórnia, citando coleta não autorizada de comunicações privadas.
  • O caso pode definir novos padrões sobre consentimento e uso de IA em serviços digitais.

O que está acontecendo

O Google está enfrentando uma proposta de ação coletiva apresentada em um tribunal federal em San Jose, Califórnia.

A empresa é acusada de ativar secretamente o Gemini, seu assistente de inteligência artificial, dentro de serviços amplamente utilizados como Gmail, Google Chat e Google Meet.

Segundo a queixa, o recurso, que antes era opcional, teria sido acionado automaticamente em outubro de 2025.

Os autores do processo afirmam que a mudança deu ao Gemini acesso total às comunicações dos usuários, incluindo e-mails, anexos, mensagens e até transcrições de videochamadas, tudo sem aviso ou consentimento explícito.

O caso, registrado como Thele v. Google LLC (25-cv-09704), busca compensação financeira e uma liminar que impeça o Google de usar o Gemini para coletar dados privados dos usuários sem autorização direta.


Como o processo descreve as alegações

A reclamação afirma que, embora o Google permita tecnicamente a desativação do Gemini, o processo seria confuso e mal divulgado.

Para desabilitar o recurso, o usuário precisaria navegar por diversas camadas de configurações ocultas, sem receber qualquer notificação de que a IA havia sido ativada por padrão.

De acordo com o texto da ação, essa conduta configuraria uma “aquisição secreta de dados”, violando a lei de privacidade da Califórnia de 1967, que proíbe a gravação ou coleta de comunicações confidenciais sem o consentimento de todas as partes envolvidas.

Os representantes dos consumidores argumentam que o caso não é apenas sobre privacidade digital, mas também sobre transparência nas práticas de empresas que lidam com grandes volumes de dados pessoais.


Implicações e o que vem a seguir

O processo contra o Google surge em um momento de crescente escrutínio sobre o uso de inteligência artificial em produtos de consumo.

Empresas de tecnologia de todo o mundo enfrentam questionamentos sobre como equilibrar inovação com proteção de dados.

Em meio à controvérsia, o Google ainda não comentou publicamente o caso. Segundo sua política de privacidade atualizada em novembro de 2025, o uso do Gemini dentro do Google Workspace preservaria a confidencialidade das informações e não utilizaria o conteúdo dos usuários para treinar seus modelos sem permissão.

Especialistas afirmam que esse processo pode se tornar um divisor de águas para o setor, forçando novas regras de transparência e consentimento em assistentes de IA, e possivelmente redefinindo os limites entre conveniência e privacidade online.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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