Google se defende após investigação da União Europeia sobre política anti-spam que afeta veículos de imprensa

Renê Fraga
4 min de leitura

Principais destaques:

  • Comissão Europeia investiga se o Google prejudica publicações jornalísticas ao aplicar novas regras contra o “parasite SEO”.
  • A empresa afirma que a investigação é equivocada e pode beneficiar golpistas e reduzir a qualidade dos resultados de busca.
  • Polêmica reacende debate sobre o equilíbrio entre combate a spam e preservação de modelos de receita de veículos de imprensa.

Contexto: o que está em jogo

O Google está no centro de uma nova investigação da Comissão Europeia, que quer entender se as políticas de combate a abusos de reputação de sites, conhecidas como “site reputation abuse policies”, prejudicam injustamente veículos de mídia.

A investigação foi aberta com base no Digital Markets Act (DMA), legislação europeia criada para garantir práticas justas em plataformas dominantes.

Segundo editores europeus, o Google estaria rebaixando sites jornalísticos legítimos por incluírem conteúdos patrocinados ou materiais de terceiros.

Já o Google sustenta que essas medidas são essenciais para combater o chamado parasite SEO, prática em que golpistas pagam a sites de alto tráfego para hospedar conteúdos que manipulam o ranqueamento de buscas.

A atualização dessa política em 2024 atingiu nomes de peso como CNN, Forbes, Time e The Wall Street Journal, que foram penalizados após a aplicação manual das novas diretrizes.


A defesa do Google

A resposta oficial veio de Pandu Nayak, cientista-chefe de Pesquisa do Google.

Em um texto publicado no blog oficial da empresa, Nayak argumenta que a investigação “é equivocada e arriscada”, afirmando que ela pode prejudicar milhões de usuários europeus e favorecer criadores de conteúdo de baixa qualidade.

O Google apresentou três linhas principais de defesa:

  1. Precedente legal na Alemanha: um tribunal alemão já teria considerado as políticas válidas e aplicadas de forma consistente.
  2. Proteção aos usuários: a empresa afirma que permitir manipulações pagas desvaloriza quem produz conteúdo legítimo e facilita fraudes.
  3. Apoio de criadores menores: segundo o Google, a política “nivela o campo de competição”, impedindo que sites com práticas enganosas ultrapassem os que investem em qualidade editorial.

O Google também destacou que, até o momento, a aplicação das penalidades é feita manualmente por revisores humanos, e não por sistemas automáticos.


O impacto para o jornalismo e os próximos passos

O cerne da disputa está no equilíbrio entre proteger a integridade dos resultados de busca e preservar modelos comerciais viáveis para o jornalismo digital.

Editores argumentam que o Google pode estar punindo acordos legítimos de conteúdo patrocinado, essenciais em tempos de crise no setor de mídia.

Autoridades europeias, por outro lado, veem risco de tratamento discriminatório e lembram que o DMA proíbe que “gatekeepers” utilizem políticas de modo injusto, sob pena de multas que podem chegar a 10% da receita global da empresa.

A investigação ainda está em fase inicial. O próximo passo será a entrega das objeções formais ao Google, que então poderá se defender.

Dependendo do resultado, a empresa pode ser obrigada a alterar a forma como aplica políticas de anti-spam na Europa.

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Seguir:
Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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