Google Pixel 10 agora compartilha arquivos direto com iPhones via AirDrop

Renê Fraga
4 min de leitura

Principais destaques:

  • Pixel 10 estreia compatibilidade inédita com o AirDrop da Apple.
  • Recurso foi criado sem envolvimento direto da Apple e auditado por empresa independente.
  • Movimento aumenta pressão sobre a Apple em meio a novas regras de interoperabilidade na Europa.

Um passo histórico na troca de arquivos

O Google anunciou que a família Pixel 10 agora pode enviar e receber arquivos diretamente de dispositivos Apple, incluindo iPhones, iPads e Macs, usando a tecnologia AirDrop.

O feito é resultado de uma integração inédita entre o Quick Share do Android e o protocolo de transferência sem fio da Apple.

Segundo o Google, a conexão funciona em modo ponto a ponto, ou seja, os dados viajam diretamente entre os dispositivos, sem passar por servidores externos. Isso garante mais privacidade e velocidade na transferência.

A novidade pode representar um divisor de águas no intercâmbio de arquivos entre plataformas — algo que por anos foi limitado pela falta de compatibilidade entre os ecossistemas Android e iOS.

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Apple pega de surpresa e reação ainda indefinida

O Google desenvolveu toda a integração por conta própria e afirmou que não envolveu a Apple no processo.

Segundo a empresa, o recurso foi auditado pela firma de segurança NetSPI, que classificou a implementação como “notavelmente mais robusta” que soluções equivalentes no mercado.

A iniciativa lembra o episódio da Beeper, que em 2023 tentou trazer o iMessage para Android por engenharia reversa, sendo bloqueada posteriormente pela Apple.

Ainda não está claro se a fabricante do iPhone adotará postura semelhante neste caso ou se buscará cooperação técnica. Até o momento, não houve comentários oficiais da Apple.


Por trás da tecnologia e o contexto regulatório

Para que o compartilhamento funcione, o usuário do iPhone precisa ajustar o AirDrop para o modo “Todos por 10 minutos”, o que temporariamente o deixa visível a dispositivos próximos.

O Google afirmou estar aberto a colaborar com a Apple para habilitar o modo “Somente contatos”, que preservaria mais privacidade.

A camada de interoperabilidade foi escrita em Rust, linguagem reconhecida por sua segurança contra falhas de memória.

O vice-presidente de segurança do Google, Dave Kleidermacher, destacou que o recurso passou por auditorias, testes de privacidade e análises de vulnerabilidade antes de ser liberado.

O lançamento ocorre em um momento delicado para a Apple, que enfrenta novas exigências na União Europeia com a Lei de Mercados Digitais.

Essa legislação pressiona grandes empresas de tecnologia a abrirem seus serviços para interoperabilidade. Foi nesse mesmo contexto que a Apple recentemente decidiu adotar o padrão RCS no iMessage.


💡 Com o Quick Share agora falando a língua do AirDrop, o Google dá um passo técnico e político significativo.

Além de beneficiar usuários, a novidade simboliza uma nova fase na relação entre Android e iOS, uma fase onde a interoperabilidade deixou de ser sonho e começou a se tornar realidade.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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