Google aposta tudo na era da IA: como o gigante das buscas tenta recuperar o terreno perdido para a OpenAI

Renê Fraga
4 min de leitura

Principais destaques:

  • Google acelerou o passo após o sucesso do ChatGPT e introduziu a IA generativa em seus principais produtos.
  • O novo modelo Gemini 3 marca o início de uma busca mais conversacional e integrada na plataforma.
  • Há dúvidas sobre o impacto da IA no futuro da web, especialmente para sites e criadores de conteúdo.

Quando a OpenAI lançou o ChatGPT no fim de 2022, o sucesso foi instantâneo e para o Google, um sinal de alerta.

Por anos, a empresa se via como líder em inteligência artificial, mas de repente, parecia estar correndo atrás. Três anos depois, o quadro começa a mudar.

A gigante de Mountain View reorganizou sua estrutura interna e colocou a IA generativa no centro de praticamente tudo o que faz.

Seu novo modelo, o Gemini 3, estreou diretamente no produto mais valioso da empresa: o Google Search.

De espectadora a protagonista

Dentro do Google, a reação ao ChatGPT foi uma mistura de surpresa, frustração e senso de urgência.

Muitos engenheiros já haviam criado protótipos semelhantes, mas que nunca viram a luz do dia, temendo polêmicas sobre erros e vieses. O lançamento da OpenAI mostrou que, mesmo com falhas, os usuários estavam dispostos a experimentar algo novo.

A resposta veio com a fusão de dois grandes laboratórios internos: o Google Brain, que fazia parte do núcleo de pesquisa da empresa, e o DeepMind, conhecido por avanços em IA e aprendizado de máquina.

Dessa união nasceu o projeto Gemini, base para os novos produtos de inteligência artificial, incluindo o assistente conversacional e ferramentas embutidas em Android, YouTube e no próprio buscador.

Recriando o buscador na era das respostas instantâneas

A maior transformação acontece justamente no Google Search, que passou a oferecer AI Overviews, resumos automáticos que entregam respostas diretas sem exigir que o usuário clique em links externos.

A ideia é tornar as buscas mais rápidas e intuitivas, mas ela levanta um debate: se os usuários param de clicar, como os sites que alimentam o conteúdo da web continuarão a existir?

Enquanto analistas apontam que a fatia de mercado do Google em anúncios de busca deve cair abaixo de 50% até 2026, a empresa garante que esse é um movimento natural de adaptação.

Segundo executivos da companhia, o aumento no volume total de pesquisas compensa a redução nos cliques em anúncios. Em outras palavras, o Google acredita que continuará a lucrar, só que de maneiras diferentes.

O desafio de manter viva a internet aberta

A nova forma de busca pode redesenhar o próprio funcionamento da web. Pesquisadores e líderes de empresas como a Cloudflare alertam que, se os criadores de conteúdo deixarem de receber tráfego e receita, a quantidade de informações originais disponíveis para treinar e alimentar sistemas de IA tende a diminuir.

Algumas vozes do setor defendem que gigantes como o Google deveriam pagar uma espécie de comissão aos sites cujos conteúdos são usados para gerar resumos e respostas.

Por enquanto, a aposta do Google é que mais eficiência significará mais engajamento, e que o público continuará buscando suas respostas ali, mesmo que de um novo jeito.

A companhia parece confiante de que, em mais uma revolução tecnológica, sairá fortalecida.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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