Principais destaques:
- A USP lança uma nova cátedra dedicada à Inteligência Artificial Responsável, em parceria com o Google.
- O projeto vai reunir especialistas para discutir ética, regulação e formação profissional em IA.
- Entre os objetivos está formar talentos qualificados e colaborar com políticas públicas no Brasil.
A Universidade de São Paulo (USP) anunciou a criação da Cátedra de Inteligência Artificial Responsável, em colaboração com o Google, com o objetivo de promover pesquisas, debates e formação de profissionais qualificados no campo da IA.
O lançamento oficial está marcado para o dia 2 de dezembro, e a iniciativa será coordenada pelo professor Carlos Américo Pacheco, ex-diretor da Fapesp e docente da Unicamp.
O projeto integra o Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP e busca aproximar o conhecimento acadêmico dos desafios reais da sociedade e do mercado.
Além de seminários e workshops, a nova cátedra também prevê bolsas de estudo e eventos voltados à construção de políticas públicas e práticas éticas no uso da tecnologia.
Entendendo o que é uma cátedra e seu papel hoje
O termo “cátedra” tem origem no latim e significa “cadeira”, historicamente, o assento de um professor titular ou autoridade acadêmica em determinado campo.
Embora essa estrutura clássica tenha sido extinta no Brasil em 1968, a USP reinterpreta o conceito por meio de cátedras temáticas dentro do IEA.
Essas cátedras funcionam como espaços de articulação e diálogo interdisciplinar, unindo pesquisadores, empresas e instituições parceiras.
No caso da nova iniciativa com o Google, a ideia central é aprofundar o debate sobre IA ética, segura e socialmente responsável, além de fomentar a inovação com impacto positivo.
Por que o tema é relevante agora
A expansão da inteligência artificial tem sido rápida.
Dados do IBGE indicam que entre 2022 e 2024 o número de empresas industriais que adotaram IA cresceu mais de 160%. Contudo, essa aceleração vem acompanhada de escassez de profissionais qualificados e desafios éticos.
Segundo o professor Pacheco, “formar mão de obra é fundamental, mas não se trata apenas de ensinar técnica; é preciso discutir responsabilidade e valores”.
O objetivo da cátedra é exatamente unir pesquisa, ética e formação para enfrentar essas novas demandas.
Entre as prioridades estão temas como transparência algorítmica, viés nos modelos de IA e proteção de dados.
A parceria com o Google permitirá compartilhar experiências práticas de desenvolvimento e governança de sistemas inteligentes em grande escala.
Regulação, inovação e o papel do Brasil
No cenário global, a Europa se destaca com o AI Act, um conjunto de regras que define limites e responsabilidades para o uso da IA.
No Brasil, tramita o Projeto de Lei 21/2020, que pretende ser o marco legal para a tecnologia no país, com foco em inovação e salvaguardas éticas.
A cátedra também quer contribuir com esse debate. Para os coordenadores, é essencial que a regulação avance junto com o estímulo à inovação e ao empreendedorismo.
“A IA é uma tecnologia que atravessa todos os setores. Se o país souber aproveitar, pode se tornar referência no tema”, destaca o sociólogo Glauco Arbix, também coordenador da iniciativa.
Além disso, a discussão sobre infraestrutura é considerada fundamental.
O Brasil conta hoje com 195 data centers, número que o coloca como o 12º país do mundo em capacidade nesse tipo de instalação. A meta é atrair mais investimentos para viabilizar o crescimento sustentável da IA.
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