Principais destaques:
- O Google dispensou executivos de compras na Coreia do Sul após não conseguir contratos de longo prazo de memória HBM.
- A escassez global de chips para inteligência artificial colocou Google, Microsoft e Meta em disputa direta por fornecedores asiáticos.
- Fabricantes como SK Hynix, Samsung Electronics e Micron já têm a produção comprometida até 2026.
A corrida pela inteligência artificial ganhou um novo capítulo tenso. O Google demitiu executivos seniores responsáveis por compras na Coreia do Sul depois que a equipe não conseguiu assegurar fornecimento adicional de memória de alta largura de banda, a chamada HBM, componente essencial para as Unidades de Processamento Tensor usadas em seus sistemas de IA.
Segundo informações do jornal sul-coreano Seoul Economic Daily, a decisão veio após tentativas frustradas de negociação com SK Hynix e Micron, quando a demanda por IA superou as projeções internas do Google.
Escassez global pressiona gigantes da tecnologia
O problema não é exclusivo do Google. A Microsoft também enfrentou dificuldades recentes em negociações com a SK Hynix, que teria afirmado não conseguir atender às condições desejadas. Já a Meta reforçou sua presença na Ásia para tentar garantir acesso prioritário a chips de memória.
Atualmente, apenas três empresas no mundo produzem HBM avançado e DRAM de alto desempenho em escala: SK Hynix, Samsung Electronics e Micron. Todas operam com capacidade máxima, com estoques praticamente esgotados até 2026.
Produção no limite e preços em alta
O Google hoje depende da Samsung para cerca de 60% do HBM usado em seus TPUs, mas nem isso tem sido suficiente. A explosão da demanda por infraestrutura de IA levou grandes empresas de tecnologia a fazer pedidos abertos, muitas vezes sem limite de preço, em busca de qualquer volume disponível.
Esse desequilíbrio já impacta o mercado. Módulos de memória DDR5 tiveram aumentos expressivos nos últimos meses, e analistas indicam que o déficit pode persistir até 2027. Executivos da indústria admitem que, mesmo com planos de expansão, a oferta continuará atrás da demanda impulsionada pela IA generativa.
Mudança estratégica para a Ásia
Diante do cenário, as big techs estão reformulando suas cadeias de suprimentos. Google, Microsoft e Meta passaram a transferir cargos estratégicos de compras do Vale do Silício para centros asiáticos como Coreia do Sul, Taiwan e Singapura. O objetivo é simples: estar fisicamente mais perto dos poucos fabricantes capazes de sustentar a revolução da inteligência artificial.
A crise dos chips mostra que, na era da IA, não basta ter os melhores modelos ou algoritmos. Garantir acesso ao hardware certo, no momento certo, virou uma questão estratégica de sobrevivência.
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