Google diz que 2025 marcou a virada da IA para a utilidade prática

Renê Fraga
4 min de leitura

Principais destaques:

  • O Google afirmou que 2025 foi o ano em que a inteligência artificial deixou de ser apenas experimental e passou a ter utilidade real.
  • Os novos modelos Gemini 3 e Gemini 3 Flash atingiram desempenho comparável a medalhas de ouro em competições internacionais de matemática e programação.
  • O avanço acelerou a disputa no setor e reacendeu o debate sobre o conceito de inteligência geral entre líderes da área.

O Google encerrou 2025 com uma declaração forte sobre o futuro da tecnologia. Em um relatório de pesquisas divulgado em 23 de dezembro, a empresa afirmou que este foi o ano em que a inteligência artificial entrou no chamado “estágio de utilidade”, deixando para trás a fase de testes e demonstrações isoladas.

O marco veio acompanhado do lançamento de uma nova geração de modelos Gemini, que consolidou a empresa no topo da corrida da IA.

Gemini 3 e o salto de desempenho

O destaque ficou para o Gemini 3 Pro, apresentado em novembro como o modelo mais avançado do portfólio, seguido pelo Gemini 3 Flash, lançado em dezembro como padrão para aplicações voltadas ao consumidor.

Segundo o Google, os sistemas alcançaram resultados impressionantes em testes de raciocínio complexo, resolvendo a maioria dos problemas da Olimpíada Internacional de Matemática e do Concurso Internacional de Programação Colegiada dentro dos limites oficiais de tempo.

Na prática, isso significa que a IA passou a lidar com desafios que exigem lógica abstrata, planejamento e tomada de decisão em nível comparável ao de especialistas humanos.

Para o Google, esse é o sinal claro de que a tecnologia amadureceu e pode ser aplicada de forma consistente em produtos e serviços do dia a dia.

OpenAI reage e entra em “código vermelho”

O avanço do Gemini teve impacto imediato nos concorrentes. O CEO da OpenAI, Sam Altman, revelou que a empresa entrou em um estado interno de “código vermelho”, acelerando o lançamento do GPT-5.2 para dezembro, semanas antes do cronograma inicial.

Em entrevistas, Altman afirmou que o impacto do anúncio do Google foi menor do que o esperado, mas suficiente para justificar a mobilização rápida de equipes.

A OpenAI também redirecionou esforços para aprimorar o ChatGPT, embora tenha negado que o lançamento do novo modelo tenha sido feito às pressas. O episódio ilustra como a competição em IA se tornou mais intensa e menos tolerante a atrasos.

Debate sobre inteligência geral volta ao centro

Além da disputa comercial, os lançamentos reacenderam discussões conceituais. Demis Hassabis, líder do Google DeepMind, contestou publicamente a visão do pesquisador da Meta Yann LeCun, que afirma não existir algo como inteligência geral.

Para Hassabis, sistemas suficientemente avançados podem aprender qualquer tarefa computável, desde que tenham recursos adequados.

A troca ganhou ainda mais visibilidade com o apoio de Elon Musk, enquanto LeCun reforçou que sua crítica é mais semântica do que técnica. O embate mostra que, mesmo com avanços práticos, a indústria ainda diverge sobre como definir e medir a inteligência artificial do futuro.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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