“Achei que eu era o próximo Steve Jobs”, diz Sergey Brin a estudantes de engenharia

Renê Fraga
4 min de leitura

Principais destaques:

  • Sergey Brin admite que a confiança excessiva acelerou o lançamento do Google Glass.
  • O cofundador do Google afirma que o produto não estava pronto para o consumidor.
  • As declarações foram feitas como lição direta a estudantes de engenharia.

Durante uma palestra para estudantes de engenharia em Stanford, Sergey Brin fez uma das reflexões mais sinceras de sua carreira ao revisitar o fracasso do Google Glass.

Ao falar sobre erros e aprendizados, Brin resumiu seu estado de espírito na época com uma frase direta e simbólica:

“Eu meio que me precipitei e pensei: ‘Ah, eu sou o próximo Steve Jobs, eu consigo fazer isso. Ta-da!'”

A declaração arrancou risos, mas também serviu como um alerta claro sobre os riscos da confiança exagerada, especialmente quando ela vem acompanhada de tecnologia ainda imatura e expectativas grandiosas.

Um produto lançado antes da hora

Criado para ser revolucionário, o Google Glass chegou ao mercado em 2012 cercado de hype, demonstrações chamativas e promessas futuristas. No entanto, segundo o próprio Brin, faltou algo essencial antes de colocá-lo nas mãos das pessoas.

“Quando você tem sua ideia legal de um novo dispositivo vestível, realmente deixe tudo totalmente pronto antes de fazer uma ação chamativa com paraquedismo e dirigíveis”, disse Brin aos estudantes. “Essa é uma dica que eu daria.”

A fala resume um erro clássico do setor: transformar demonstrações impressionantes em produto final sem o refinamento necessário para o uso cotidiano.

Custo, design e falta de polimento

Além do visual considerado estranho e da câmera embutida que levantou preocupações com privacidade, o preço foi um dos maiores entraves. O Google Glass custava US$ 1.500, valor que hoje ultrapassaria US$ 2.000 com a inflação.

Brin reconheceu que esse foi um ponto central do fracasso.

“Acho que tentei comercializá-lo rápido demais, antes que pudéssemos torná-lo mais viável em termos de custo e mais polido do ponto de vista do consumidor”, afirmou.

Segundo ele, o produto simplesmente não estava no nível esperado para o público geral.

A sombra de Steve Jobs e os aprendizados do fracasso

Ao citar Steve Jobs, Brin fez uma comparação inevitável com a história da Apple, que também acumulou fracassos antes de seus maiores sucessos. O exemplo mais lembrado é o Apple Newton, cancelado anos antes do lançamento do iPhone.

A diferença, como o tempo mostrou, foi a forma como cada empresa transformou o erro em aprendizado. Ao falar com futuros engenheiros, Brin deixou claro que o fracasso do Google Glass ainda ecoa como uma lição pessoal e profissional.

Hoje, com óculos inteligentes voltando ao mercado em versões mais discretas e acessíveis, como os modelos da Meta, o alerta de Brin soa mais atual do que nunca: inovação não é só ter a ideia certa, mas saber a hora certa de entregá-la ao mundo.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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