“Fomos cautelosos demais”: Sergey Brin fala sobre erro estratégico do Google em IA

Renê Fraga
3 min de leitura

Principais destaques:

  • Sergey Brin reconheceu que o Google investiu menos do que deveria em inteligência artificial após publicar o paper do Transformer.
  • O medo de lançar chatbots imperfeitos atrasou a adoção, enquanto a OpenAI avançou rapidamente.
  • Segundo Brin, a volatilidade atual do Google Search é consequência direta desse esforço acelerado de recuperação.

O cofundador do Google fez uma rara autocrítica pública ao afirmar que a empresa “com certeza errou” ao não levar a inteligência artificial tão a sério quanto deveria no início da última década.

A declaração ajuda a entender por que, nos últimos meses, o Google tem lançado mudanças rápidas e nem sempre previsíveis em seus produtos baseados em IA.

Medo de errar atrasou o Google

De acordo com Brin, após a publicação do paper que deu origem à arquitetura Transformer, base dos modelos generativos modernos, o Google não escalou investimento em computação nem levou a tecnologia rapidamente ao público.

O principal motivo foi o receio de expor usuários a chatbots que poderiam dizer coisas incorretas ou absurdas. Enquanto isso, outras empresas avançaram sem o mesmo nível de cautela.

OpenAI acelerou e mudou o jogo

Brin destacou que a OpenAI soube identificar o potencial e agir rápido. Para ele, foi uma decisão extremamente inteligente levar a tecnologia adiante mesmo com imperfeições iniciais.

O detalhe curioso é que parte do talento envolvido nessa virada veio do próprio ecossistema do Google, o que reforça a ideia de que a base científica já existia, mas faltou ousadia estratégica.

Por que o Google ainda está no jogo

Apesar da autocrítica, Brin deixou claro que o Google continua em posição privilegiada. A empresa acumulou décadas de pesquisa em redes neurais, deep learning, infraestrutura de data centers e desenvolvimento de semicondutores.

Esse histórico, segundo ele, explica como o Google conseguiu reagir rápido e lançar produtos como o Gemini Live, mesmo que algumas mudanças pareçam bruscas para usuários e profissionais de SEO.

No evento realizado na Stanford University, Brin também comentou que usa versões internas muito mais avançadas do Gemini e afirmou que uma atualização significativamente melhor deve chegar ao público em breve.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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