Mais de 21% dos Shorts do YouTube já são vídeos de IA de baixa qualidade, aponta estudo

Renê Fraga
4 min de leitura

Principais destaques:

  • Um estudo revelou que mais de 21% dos vídeos recomendados a novos usuários do YouTube Shorts são gerados por IA de baixa qualidade.
  • Esses conteúdos, conhecidos como slop, já somam bilhões de visualizações e milhões de dólares em receita.
  • O crescimento acelerado de ferramentas de geração de vídeo levanta dúvidas sobre o futuro da criatividade humana nas plataformas.

Um levantamento divulgado no fim de novembro pela plataforma de edição de vídeos Kapwing acendeu um alerta sobre o ecossistema do YouTube.

Segundo o relatório, mais de um em cada cinco vídeos exibidos no feed inicial do YouTube Shorts para novos usuários é conteúdo gerado por inteligência artificial com baixa qualidade, criado principalmente para atrair cliques e visualizações rápidas.

A análise se baseou em dados coletados em outubro de 2025 e avaliou 15 mil dos canais mais populares da plataforma no mundo. Para simular a experiência de um usuário iniciante, os pesquisadores criaram uma conta nova e observaram os primeiros 500 vídeos recomendados pelo algoritmo.

Como o estudo identificou o “slop” de IA

Após os 16 primeiros vídeos produzidos por humanos, o cenário mudou rapidamente. Dos 484 clipes seguintes, 104 eram totalmente gerados por IA, o que representa cerca de 21% do feed. Além disso, outros 33% foram classificados como “brainrot”, um termo usado para descrever vídeos descartáveis, repetitivos e feitos apenas para capturar atenção.

O estudo também identificou 278 canais compostos exclusivamente por esse tipo de conteúdo automatizado. Somados, eles acumulam mais de 63 bilhões de visualizações e 221 milhões de inscritos, com uma receita anual estimada em US$ 117 milhões, números que mostram a força econômica desse modelo.

Países e canais que lideram em visualizações

A Coreia do Sul aparece como o país com maior consumo desse tipo de conteúdo, reunindo 8,45 bilhões de visualizações nos principais canais analisados. Um exemplo citado é o canal Three Minutes Wisdom, que ultrapassou 2 bilhões de visualizações com vídeos fotorrealistas e absurdos envolvendo animais.

Na sequência vêm o Paquistão, com 5,34 bilhões de visualizações, e os Estados Unidos, com 3,39 bilhões. O canal mais lucrativo identificado foi o indiano Bandar Apna Dost, que apresenta um macaco hiper-realista em situações humanas e teria faturado cerca de US$ 4,25 milhões em um ano.

Resposta do YouTube e o avanço das ferramentas de IA

Em resposta às conclusões do estudo, o YouTube afirmou que a IA generativa é apenas uma ferramenta, capaz de produzir tanto conteúdo de alta quanto de baixa qualidade, e reforçou que todos os vídeos precisam seguir as diretrizes da comunidade.

A proliferação desse material foi impulsionada pelo avanço de soluções como o Sora, da OpenAI, e o Veo, do Google, que permitem criar vídeos realistas a partir de simples comandos de texto.

Em julho de 2025, a plataforma atualizou as regras do Programa de Parcerias para tentar identificar conteúdos produzidos em massa e de forma repetitiva, mas a aplicação em larga escala ainda enfrenta dificuldades.

As conclusões reforçam uma preocupação crescente no universo da inteligência artificial: enquanto a tecnologia avança e barateia a produção de vídeos, criadores humanos passam a disputar espaço com um volume quase infinito de conteúdo automatizado, o que pode impactar a confiança e a qualidade percebida nas plataformas digitais.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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