Principais destaques:
- Sam Altman vê a Apple como o maior obstáculo estratégico da OpenAI no futuro.
- O ChatGPT começou a integrar apps, mas testes mostram limitações relevantes.
- A empresa aposta também em hardware próprio com a ajuda de Jony Ive.
O CEO da OpenAI, Sam Altman, surpreendeu ao afirmar que a Apple é a principal rival de longo prazo da empresa, e não o Google.
A declaração revela uma ambição clara: transformar o ChatGPT em algo próximo de um sistema operacional, capaz de disputar espaço com o domínio da App Store e, no limite, com o próprio iPhone.

ChatGPT quer virar plataforma, mas ainda tropeça
Com mais de 800 milhões de usuários, a OpenAI lançou em outubro de 2025 um Apps SDK que permite a desenvolvedores criarem aplicações que funcionam dentro do ChatGPT.
Na prática, o usuário pode pedir compras no Instacart, montar playlists no Spotify ou buscar trilhas no AllTrails sem sair da conversa com o chatbot.
O conceito é ambicioso, mas os testes iniciais mostram uma realidade desigual. Reportagem do Wall Street Journal apontou que apenas o Instacart oferece, até agora, uma experiência completa de ponta a ponta, incluindo pagamento dentro do ChatGPT. Outras integrações ainda exigem que o usuário saia do chatbot para concluir tarefas.
Integrações incompletas e experiência fragmentada
O caso da Uber ilustra bem o desafio. A integração atual se limita a estimativas de preço e, para finalizar a corrida, o usuário é redirecionado ao site ou aplicativo da empresa, precisando repetir todas as informações.
Em muitos outros apps, o ChatGPT responde apenas perguntas básicas antes de devolver o controle ao aplicativo tradicional.
A OpenAI reconhece essas falhas e afirma que a estratégia é lançar cedo para aprender com o uso real. Segundo a empresa, esse modelo permite ajustes rápidos. A própria Uber descreveu sua participação como um piloto, com melhorias planejadas ao longo do tempo.
Hardware, Jony Ive e o confronto direto com a Apple
A visão de Altman vai além do software. Em maio de 2025, a OpenAI comprou a startup io, fundada por Jony Ive, por US$ 6,5 bilhões. O objetivo é criar dispositivos pensados desde o início para interação com inteligência artificial, reduzindo a dependência de telas. Há rumores de um produto focado em áudio já no início de 2026.
Essa estratégia coloca a OpenAI em rota de colisão direta com o ecossistema fechado da Apple, que une hardware, software e a App Store. Altman já deixou claro que, no longo prazo, sua ambição é substituir o iPhone como principal interface digital das pessoas.
Apesar disso, o consenso entre analistas e desenvolvedores é de cautela. Os apps tradicionais ainda concentram receita, dados e controle da experiência do usuário. Para muitos, o ChatGPT hoje funciona mais como um complemento poderoso do que como um substituto real dos aplicativos móveis.
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