Grupos pressionam Apple e Google a remover o X e o Grok das lojas de aplicativos

Renê Fraga
4 min de leitura

Principais destaques:

  • Organizações de defesa acusam o X e o chatbot Grok de gerar imagens sexualizadas ilegais envolvendo mulheres e crianças.
  • A pressão cresce após bloqueios do Grok na Indonésia e na Malásia e investigações no Reino Unido e na União Europeia.
  • Apple e Google são cobradas a agir com base em suas próprias políticas de segurança nas lojas de aplicativos.

Uma coalizão internacional de grupos de defesa dos direitos das mulheres, organizações de vigilância tecnológica e movimentos progressistas intensificou a pressão para que Apple e Google removam o X, de Elon Musk, e o chatbot de inteligência artificial Grok de suas lojas de aplicativos.

O pedido se baseia na alegação de que as plataformas estariam facilitando a produção e disseminação de conteúdo sexualmente explícito ilegal, inclusive envolvendo menores de idade.

As acusações foram formalizadas em cartas abertas assinadas por organizações como UltraViolet, National Organization for Women, MoveOn e ParentsTogether Action. Segundo os grupos, os aplicativos violariam diretamente os termos de serviço das lojas ao permitir a geração em larga escala de imagens prejudiciais, muitas vezes direcionadas a mulheres e crianças.

Pressão direta sobre Apple e Google

Para as organizações, o ponto central não é apenas o comportamento do X, mas o papel das gigantes de tecnologia ao manter esses aplicativos disponíveis. Jenna Sherman, diretora de campanha da UltraViolet, afirmou que Apple e Google estariam “permitindo um sistema” no qual abusos sexuais digitais acontecem com apoio indireto de suas próprias plataformas de distribuição.

A cobrança pública busca forçar uma resposta clara das empresas, que até o momento não se pronunciaram sobre as cartas. Na visão dos ativistas, a decisão de manter ou remover os aplicativos será um teste prático dos valores de segurança e responsabilidade que Apple e Google dizem defender.

Reação internacional ao Grok

O movimento acontece em meio a um aumento do escrutínio global sobre o Grok, desenvolvido pela xAI, empresa controlada por Musk. Indonésia e Malásia se tornaram os primeiros países a bloquear oficialmente o chatbot, alegando a necessidade de proteger a população contra material pornográfico fabricado por inteligência artificial.

No Reino Unido, o órgão regulador Ofcom abriu uma investigação formal para apurar possíveis violações das leis de segurança online, com risco de multas que podem chegar a 10% da receita global da plataforma. Autoridades da Comissão Europeia também classificaram os conteúdos gerados como ilegais e alarmantes.

Respostas evasivas e críticas persistentes

O X não respondeu diretamente aos pedidos de comentário. Já a xAI reagiu de forma breve e provocativa, afirmando apenas que se trata de “mentiras da mídia tradicional”. Apesar de ajustes recentes para impedir que imagens geradas pelo Grok apareçam publicamente na plataforma, testes independentes indicam que o chatbot ainda cria imagens sexualizadas sob demanda.

A pressão também vem do meio político. Senadores democratas dos Estados Unidos já haviam solicitado que Apple e Google retirassem os aplicativos até que as supostas violações fossem resolvidas. Para os críticos, a forma como as empresas vão lidar com o caso mostrará, na prática, até onde vai o compromisso das big techs com a segurança digital.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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