Google DeepMind acelera expansão em IA e fecha três acordos estratégicos em poucos dias

Renê Fraga
4 min de leitura

Principais destaques:

  • O Google DeepMind fechou três acordos de inteligência artificial em uma única semana.
  • As movimentações envolvem IA generativa 3D, reconhecimento emocional por voz e modelos avançados baseados em Transformer.
  • Estratégia reforça a corrida global por talentos e tecnologia, ao mesmo tempo em que chama a atenção de reguladores.

O Google deu mais um sinal claro de que pretende liderar a próxima fase da inteligência artificial.

Em poucos dias, o Google DeepMind anunciou a aquisição de uma startup, firmou um acordo de licenciamento e realizou um investimento estratégico, cobrindo áreas-chave como criação de mundos 3D, interação por voz e pesquisa de modelos avançados.

A sequência de anúncios mostra uma postura agressiva e bem calculada para fortalecer seu ecossistema de IA.

Aquisição reforça aposta em IA generativa 3D

O Google confirmou a compra da Common Sense Machines, startup sediada em Cambridge, nos Estados Unidos, especializada em transformar imagens 2D em ativos digitais 3D por meio de modelos generativos.

Embora os valores da aquisição não tenham sido revelados, a empresa havia sido avaliada em cerca de US$ 15 milhões após rodada liderada pela Andreessen Horowitz.

Um detalhe simbólico é que o fundador e CEO, Tejas Kulkarni, já trabalhou como pesquisador sênior no próprio DeepMind.

Com isso, o Google reforça sua capacidade de desenvolver modelos voltados para simulações, robótica e ambientes virtuais cada vez mais realistas.

Licenciamento em IA de voz traz tecnologia e talentos

Em um movimento separado, o Google DeepMind fechou um acordo de licenciamento com a Hume AI, startup focada em reconhecimento de emoções a partir da voz.

O contrato garante ao Google direitos não exclusivos sobre a tecnologia e ainda traz para dentro da empresa o fundador Alan Cowen, além de parte da equipe de engenharia.

A Hume AI continuará operando de forma independente, agora sob a liderança de Andrew Ettinger, e projeta alcançar US$ 100 milhões em receita neste ano.

O acordo ilustra uma tendência crescente no setor, em que grandes empresas absorvem talentos e tecnologia sem realizar aquisições completas.

Investimento conecta o Google ao criador do Transformer

O terceiro anúncio foi um investimento estratégico na Sakana AI, considerada a startup de IA mais valiosa do Japão.

Avaliada em cerca de US$ 2,6 bilhões, a empresa foi cofundada por Llion Jones, um dos autores do artigo “Attention Is All You Need”, que introduziu a arquitetura Transformer usada pela maioria dos modelos modernos.

A parceria permitirá que a Sakana utilize modelos como Gemini e Gemma, além de contribuir com feedback direto para o ecossistema de IA do Google. Para o DeepMind, é uma forma de se manter próximo de pesquisadores que ajudaram a moldar a base da IA atual.

Pressão regulatória e disputa global

Esses acordos também levantam alertas regulatórios. Autoridades como a FTC já indicaram que pretendem observar com mais atenção práticas conhecidas como acqui-hire, que ficam na fronteira entre parceria e aquisição.

Ao mesmo tempo, os movimentos mostram o Google se posicionando de forma mais agressiva frente a concorrentes como a OpenAI, especialmente em áreas como voz, agentes inteligentes e modelagem de mundo.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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