Apple negocia uso da nuvem do Google para novo chatbot da Siri

Renê Fraga
3 min de leitura

Principais destaques:

  • A Apple avalia hospedar o novo chatbot da Siri em servidores do Google, usando TPUs.
  • O projeto interno, apelidado de Campos, deve rodar sobre modelos Gemini 3, mais exigentes em hardware.
  • A mudança sinaliza pragmatismo para acelerar a entrega de IA generativa, mesmo com negociações de salvaguardas de privacidade.

A Apple está em conversas com a Alphabet para hospedar o próximo chatbot da Siri na infraestrutura de nuvem do Google.

A informação, divulgada pela Bloomberg, indica que a empresa pode deixar temporariamente de lado o Private Cloud Compute para atender às demandas de desempenho dos novos modelos.

Segundo o jornalista Mark Gurman, o chatbot será construído sobre o Gemini 3, que requer servidores mais potentes do que os atualmente disponíveis na nuvem proprietária da Apple.

As conversas seriam processadas na nuvem do Google, com cláusulas para evitar registro ou retenção de dados sensíveis.

Implementação em duas fases para a nova Siri

A estratégia da Apple prevê uma transição gradual. A primeira etapa chega com iOS 26.4, trazendo recursos de IA baseados em uma versão anterior do Gemini, ainda rodando no Private Cloud Compute.

Essa atualização amplia o reconhecimento de conteúdo na tela, o acesso a contexto pessoal e a busca na web, sem transformar a Siri em um chatbot completo.

A experiência integral deve estrear mais adiante com iOS 27, além de iPadOS 27 e macOS 27. A Siri reformulada aceitará voz e texto e buscará competir diretamente com soluções de ponta do mercado.

Privacidade em negociação e pressão por resultados

A possível terceirização do processamento marca um desvio filosófico para uma empresa conhecida por priorizar controle total sobre dados.

Ainda assim, a Apple deve exigir salvaguardas rigorosas para manter seus padrões de privacidade, mesmo operando sobre infraestrutura externa.

O movimento também reflete a pressão para entregar rapidamente recursos modernos de IA generativa. Com liderança renovada na Siri, a empresa parece optar por pragmatismo para não ficar atrás em um mercado que evolui em ritmo acelerado.

Dependência temporária até chips próprios

Embora a Apple esteja desenvolvendo chips de servidor de IA próprios, a produção em massa só é esperada para o segundo semestre de 2026, com data centers operacionais em 2027.

Até lá, a ambição de competir em IA pode depender da infraestrutura de uma rival histórica.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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