Google alerta: falha grave no WinRAR segue sendo explorada meses após correção

Renê Fraga
3 min de leitura

Principais destaques:

  • Google identificou que uma falha crítica do WinRAR continua sendo explorada mesmo após correção oficial.
  • Ataques envolvem grupos ligados a governos e cibercriminosos comuns, com foco em espionagem e fraude.
  • A ausência de atualização automática mantém milhões de usuários expostos ao risco.

Um novo alerta do Google Threat Intelligence Group chama a atenção para um problema que persiste além do esperado.

Segundo o relatório, uma vulnerabilidade crítica no WinRAR continua sendo explorada ativamente por hackers, mesmo seis meses após a disponibilização da correção oficial.

A falha, identificada como CVE-2025-8088, permite ataques do tipo path traversal e recebeu pontuação elevada de risco.

Apesar de ter sido corrigida pela desenvolvedora RARLAB em julho de 2025, muitos sistemas seguem desprotegidos, o que mantém a brecha como uma porta aberta para ataques em escala global.

Ataques patrocinados por estados continuam ativos

De acordo com o Google, grupos ligados a governos seguem liderando a exploração da falha.

Ações atribuídas a atores associados à Rússia e à China mostram o uso contínuo do problema para campanhas de espionagem cibernética. Os alvos incluem órgãos militares, instituições governamentais e setores estratégicos, especialmente ligados ao conflito na Ucrânia.

Esses ataques costumam usar e-mails altamente direcionados, com arquivos compactados aparentemente legítimos.

Ao serem abertos, eles instalam malwares capazes de dar acesso remoto aos sistemas ou baixar novas cargas maliciosas sem que o usuário perceba.

Cibercriminosos ampliam o impacto no setor comercial

Não são apenas operações estatais que se aproveitam da vulnerabilidade.

O relatório aponta que grupos com motivação financeira incorporaram rapidamente o exploit em golpes voltados ao setor privado. Hotéis, bancos, empresas de turismo e usuários comuns passaram a ser alvos frequentes.

Na América Latina, incluindo o Brasil, a falha foi usada para disseminar trojans de acesso remoto e até extensões maliciosas de navegador, capazes de capturar credenciais bancárias ao alterar o conteúdo de sites legítimos.

Falta de atualização automática agrava o problema

Um dos pontos mais críticos destacados pelo Google é a própria arquitetura do WinRAR.

O software não conta com um sistema de atualização automática, o que faz com que muitos usuários sigam utilizando versões vulneráveis sem saber. Estima-se que o programa tenha cerca de 500 milhões de usuários no mundo.

Além disso, o mercado clandestino de exploits facilita ainda mais a disseminação da falha. Ferramentas prontas e relativamente baratas reduzem a barreira de entrada para novos ataques, mantendo a vulnerabilidade ativa por mais tempo do que o normal.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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