Google DeepMind mostra curta animado feito com IA que prioriza o olhar do artista

Renê Fraga
3 min de leitura

Principais destaques

  • O Google DeepMind apresentou no Festival de Sundance um curta animado criado com apoio de inteligência artificial.
  • O projeto combina modelos de IA do Google com técnicas tradicionais de animação, sem substituir o trabalho humano.
  • A proposta é dar mais controle criativo aos artistas, evitando resultados automáticos e imprevisíveis.

A Google DeepMind apresentou no Story Forum do Festival de Sundance o curta-metragem animado Dear Upstairs Neighbors.

O filme chama atenção por mostrar como a inteligência artificial pode atuar como ferramenta de apoio à criação artística, e não como substituta dos animadores.

Dirigido por Connie He, veterana da Pixar, o curta nasceu de uma colaboração direta entre artistas e pesquisadores de IA.

A história acompanha Ada, uma jovem que não consegue dormir por causa do barulho dos vizinhos do andar de cima, e transforma essa situação cotidiana em uma fantasia visual cheia de exageros e emoção.

“Dear Upstairs Neighbors” (Trailer)

IA como extensão do processo criativo

Desde o início, a equipe percebeu que ferramentas tradicionais de geração por texto não eram suficientes para alcançar o estilo visual desejado.

Em vez disso, os animadores criaram versões brutas das cenas em softwares já conhecidos do mercado, como Maya e TV Paint, e só depois utilizaram a IA para transformar esses materiais em imagens finalizadas e estilizadas.

Para isso, os modelos Veo e Imagen do Google foram ajustados com base nas artes originais do projeto.

A ideia não era apenas copiar cores ou texturas, mas ensinar conceitos artísticos mais profundos, como perspectiva, composição e leitura de silhueta, respeitando regras clássicas da animação 2D mesmo em cenas com movimento tridimensional.

Controle humano em cada cena

O Google DeepMind reforça que nenhuma tomada final foi criada com apenas um comando automático.

Todas as cenas passaram por várias revisões, conhecidas como dailies, nas quais os artistas ajustavam detalhes específicos.

Quando algo não funcionava, como o formato do cabelo da personagem em uma cena, os animadores indicavam manualmente a área a ser corrigida e a IA fazia sugestões que depois eram novamente avaliadas.

Esse processo reforça a proposta “artist-first”, em que a tecnologia atua como uma parceira criativa, respondendo às decisões humanas em vez de impor resultados inesperados.

Um sinal dos rumos da indústria

A estreia do curta acontece em um momento em que o cinema discute intensamente o papel da IA no trabalho criativo.

O próprio Sundance lançou recentemente uma iniciativa de alfabetização em inteligência artificial, com apoio do Google.org, para ajudar cineastas a entender melhor essas ferramentas.

Além disso, o Google planeja disponibilizar em breve a tecnologia de upscaling em 4K usada no filme por meio do Google AI Studio e do Vertex AI, indicando que esse tipo de recurso pode chegar a um público mais amplo nos próximos meses.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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