Apple confirma Siri com Gemini rodando na Private Cloud Compute e reforça aposta em privacidade

Renê Fraga
4 min de leitura

Principais destaques:

  • A Apple Inc. confirmou que a nova Siri usará modelos Gemini do Alphabet Inc., mantendo processamento híbrido.
  • A arquitetura combina execução no dispositivo com servidores de Private Cloud Compute, preservando os padrões de privacidade da empresa.
  • A parceria surge em meio a um trimestre recorde e à pressão do mercado por avanços mais visíveis em inteligência artificial.

A Apple detalhou oficialmente sua colaboração com o Google para integrar os modelos de inteligência artificial Gemini a uma versão aprimorada da Siri.

A confirmação veio durante a apresentação de resultados do último trimestre, realizada em 29 de janeiro, e marca um movimento estratégico importante da empresa em sua corrida por IA mais avançada.

Segundo a companhia, a adoção dos modelos do Google não altera o compromisso histórico com privacidade. A Siri continuará funcionando de forma híbrida, combinando processamento local nos aparelhos com a infraestrutura proprietária conhecida como Private Cloud Compute.

Parceria estratégica para acelerar a IA da Apple

Durante a teleconferência com analistas, o CEO Tim Cook afirmou que a tecnologia do Google oferece uma base mais robusta para os Apple Foundation Models.

De acordo com ele, a colaboração permite desbloquear novas experiências e inovar de maneira mais profunda, algo que a empresa vinha sendo cobrada a fazer diante do avanço de concorrentes em IA generativa.

Anunciada inicialmente em janeiro, a parceria sinaliza uma mudança de postura da Apple. Em vez de depender exclusivamente de modelos próprios, a empresa passa a adotar uma abordagem mais pragmática, combinando desenvolvimento interno com tecnologias externas consideradas líderes de mercado.

Privacidade como pilar da nova Siri

Mesmo com a integração do Gemini, Cook reforçou que nada muda em relação à filosofia de proteção de dados.

A Apple continuará priorizando o processamento no próprio dispositivo sempre que possível e recorrerá à Private Cloud Compute apenas quando tarefas mais complexas exigirem maior poder computacional.

Essa arquitetura foi criada justamente para permitir recursos avançados de IA sem que dados pessoais sejam armazenados ou utilizados para treinamento. A empresa não divulgou detalhes financeiros do acordo com o Google, mantendo a tradição de discrição nesse tipo de parceria.

Resultados recordes e pressão por monetização da IA

O anúncio aconteceu no mesmo dia em que a Apple revelou o maior trimestre de sua história, com receita de US$ 143,8 bilhões e crescimento expressivo nas vendas de iPhone, inclusive na China. Ainda assim, analistas questionaram como a empresa pretende transformar seus investimentos em inteligência artificial em receitas concretas.

Cook evitou apresentar um plano direto de monetização, descrevendo a IA como uma fonte de grande valor estratégico que abre oportunidades em produtos e serviços.

Em paralelo, a Apple confirmou a aquisição da startup israelense Q.ai, especializada em tecnologias de áudio e análise facial, reforçando a sensação de urgência para reduzir a distância percebida em relação aos rivais no campo da IA.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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