Buscas no Google caem quase 20% por usuário nos EUA

Renê Fraga
4 min de leitura

Principais destaques

  • Usuários dos EUA estão fazendo quase 20% menos buscas no Google em comparação com o ano anterior.
  • A queda não indica perda de usuários, mas menos pesquisas repetidas graças a respostas diretas com IA.
  • Para sites e anunciantes, o cenário significa menos oportunidades de cliques e tráfego.

Um novo relatório da Dados em parceria com a SparkToro mostra uma mudança profunda no comportamento de busca nos Estados Unidos.

Segundo o estudo, usuários norte-americanos estão pesquisando bem menos no Google do que há um ano, mesmo com a plataforma mantendo sua posição dominante no mercado.

O dado chama atenção porque não se trata de uma fuga do Google, mas de uma redução no número de buscas feitas por cada pessoa. Em termos práticos, isso reduz as chances de exposição para sites, anúncios e conteúdos que dependem da busca tradicional.

Menos buscas por pessoa, não menos usuários

De acordo com os números do relatório, as buscas em desktop por usuário nos EUA caíram quase 20% ano a ano. Na Europa, o movimento foi bem mais discreto, com queda entre 2% e 3%.

Mesmo assim, a busca tradicional ainda representa cerca de 10% de toda a atividade em desktops nos Estados Unidos, um percentual que se manteve praticamente estável ao longo de 2025. Ou seja, o Google continua central, mas o jeito de usar está mudando.

A inteligência artificial muda o jeito de pesquisar

O relatório aponta a inteligência artificial como principal fator por trás dessa transformação. Com respostas mais completas e imediatas, os usuários deixam de fazer várias pesquisas em sequência para chegar à informação desejada.

As chamadas buscas sem clique continuam altas, estabilizadas pouco acima de 20%. Além disso, o comportamento dentro dos próprios produtos do Google mudou pouco nos últimos meses, sinalizando que os usuários já se adaptaram a esse novo padrão.

Curiosamente, apesar de toda a atenção em torno da IA, essas ferramentas ainda representam menos de 1% da atividade total em desktops nos EUA. O modo de busca com IA do Google, por exemplo, responde por apenas uma fração desse total, embora esteja crescendo de forma constante.

Descoberta mais concentrada e difícil para sites

Outro ponto relevante é o impacto na descoberta de novos conteúdos. O tráfego pós-busca continua concentrado em grandes plataformas como YouTube, Reddit, Amazon e Wikipedia. Poucos nomes conseguiram subir nesse ranking, o que torna ainda mais difícil para sites menores ganharem visibilidade.

Segundo Rand Fishkin, cofundador da SparkToro, a IA está respondendo perguntas antes mesmo que o usuário precise clicar em um resultado orgânico ou refinar a busca. Isso ajuda a explicar por que o Google envia menos tráfego para a chamada “cauda longa” da web.

No fim das contas, o relatório reforça uma tendência clara: a busca continua relevante, mas a era da descoberta fácil está ficando para trás, especialmente para quem depende do Google como principal fonte de audiência.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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