DeepSeek mira buscas com IA e agentes inteligentes para disputar espaço com Google e OpenAI

Renê Fraga
3 min de leitura

Principais destaques

  • A DeepSeek começou a contratar profissionais para criar um mecanismo de busca com IA multimodal e multilíngue.
  • O projeto indica uma estratégia clara de competir diretamente com Google e OpenAI, indo além dos chatbots tradicionais.
  • A expansão acontece em meio a pressões políticas nos EUA e questionamentos sobre o uso de chips da Nvidia.

A startup chinesa de inteligência artificial DeepSeek está dando sinais de que pretende jogar em outra liga.

Segundo informações publicadas pela Bloomberg, a empresa abriu diversas vagas voltadas à criação de um mecanismo de busca com IA capaz de interpretar texto, imagens e áudio de forma integrada.

A iniciativa marca uma ampliação importante do portfólio da companhia, que já havia chamado atenção do mercado com modelos avançados de raciocínio.

Busca multimodal para competir com gigantes

As descrições das vagas indicam que a DeepSeek quer construir um sistema de busca que vá além das respostas textuais.

A proposta envolve entender diferentes tipos de entrada ao mesmo tempo, como uma pergunta falada acompanhada de uma imagem, algo que se aproxima da próxima geração de buscadores inteligentes.

Esse movimento coloca a startup em rota de colisão direta com Google e OpenAI, que também investem pesado em experiências de busca baseadas em grandes modelos de linguagem.

A diferença é que a DeepSeek parece apostar desde o início em um produto nativamente multimodal, em vez de adaptar sistemas já existentes.

Agentes de IA que trabalham quase sozinhos

Outro ponto que chama atenção nas contratações é o foco em agentes de IA.

As vagas mencionam infraestrutura para treinamento contínuo, avaliação automática e plataformas capazes de sustentar agentes que operam com mínima intervenção humana.

Na prática, isso sugere soluções que não apenas respondem perguntas, mas executam tarefas, acompanham processos e tomam decisões dentro de limites pré-definidos.

É um passo importante rumo a sistemas mais autônomos, um tema central nas discussões sobre a evolução da inteligência artificial geral.

Pressão política e escrutínio internacional

A expansão da DeepSeek ocorre em um momento sensível. Parlamentares dos Estados Unidos levantaram suspeitas sobre a colaboração técnica da Nvidia com a empresa chinesa e possíveis vínculos com o Exército Popular de Libertação.

A Nvidia nega as acusações e afirma que a China possui capacidade tecnológica própria suficiente para aplicações militares.

O debate ganhou ainda mais força após decisões do governo do presidente Donald Trump de restringir a venda de chips avançados para a China, exigindo garantias de uso não militar.

Esse contexto geopolítico pode influenciar diretamente a velocidade e o alcance da expansão da DeepSeek no mercado global.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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