Google fecha brecha e impede reprodução em segundo plano no YouTube sem Premium

Renê Fraga
4 min de leitura

Principais destaques:

  • Google passou a impedir a reprodução em segundo plano no YouTube para usuários sem Premium em navegadores móveis.
  • A mudança afeta Android e também usuários de iOS que acessam pelo navegador.
  • A decisão faz parte de uma estratégia mais ampla para reforçar os benefícios exclusivos da assinatura paga.

O Google confirmou oficialmente que bloqueou uma brecha bastante usada por usuários para ouvir vídeos do YouTube em segundo plano sem pagar pelo YouTube Premium.

A mudança afeta quem acessava a plataforma por navegadores móveis de terceiros e marca mais um passo da empresa para reforçar os limites entre a versão gratuita e o serviço pago.

A confirmação foi feita pelo Google no dia 29 de janeiro, após questionamentos da imprensa especializada. Segundo a empresa, o ajuste busca padronizar a experiência do YouTube em todas as plataformas.

O que mudou na prática para os usuários

Até pouco tempo atrás, muitos usuários conseguiam driblar a limitação do YouTube simplesmente acessando o site pelo navegador, em vez do aplicativo oficial.

Navegadores como Samsung Internet, Brave, Vivaldi e Microsoft Edge permitiam que o áudio continuasse tocando mesmo com a tela bloqueada.

Com a atualização, isso deixou de funcionar. Agora, ao minimizar o navegador ou apagar a tela do celular, o vídeo para em poucos segundos se o usuário não tiver assinatura do YouTube Premium.

Em alguns casos, aparece rapidamente uma notificação de mídia ativa antes de desaparecer por completo.

De acordo com um porta-voz do Google, a reprodução em segundo plano sempre foi pensada como um recurso exclusivo para assinantes e a empresa apenas corrigiu inconsistências que permitiam o uso fora dessas condições.

Como funcionava o truque antes do bloqueio

O método era simples e ficou popular principalmente entre usuários de Android.

Bastava abrir o YouTube em um navegador móvel, iniciar o vídeo e sair do aplicativo ou bloquear a tela. O áudio seguia tocando normalmente, algo muito usado para músicas, podcasts e entrevistas.

Esse comportamento, porém, contornava um dos principais atrativos do YouTube Premium, que atualmente custa US$ 13,99 por mês no plano individual.

Testes recentes mostram que o truque não funciona mais, mesmo em navegadores que antes eram conhecidos por permitir essa reprodução em segundo plano.

Usuários de iPhone também começaram a relatar o mesmo comportamento ao acessar o YouTube pelo Safari, indicando que a restrição não ficou limitada ao Android.

Parte de uma estratégia maior do Google

Esse bloqueio não aconteceu de forma isolada. Desde 2023, o Google vem apertando o cerco contra bloqueadores de anúncios, aplicativos não oficiais e extensões que tentam burlar limitações do YouTube gratuito. Ao longo de 2024 e 2025, essas ações ficaram ainda mais frequentes.

Hoje, o YouTube Premium soma cerca de 125 milhões de assinantes no mundo todo. Além da reprodução em segundo plano, o serviço oferece vídeos sem anúncios e downloads para assistir offline.

Nas redes sociais, a reação foi majoritariamente negativa. Muitos usuários afirmam que o Google estaria piorando propositalmente a experiência gratuita para forçar assinaturas. Outros acreditam que novas alternativas técnicas ainda podem surgir, embora sejam mais complexas e menos acessíveis para o público comum.

✨ Curtiu este conteúdo?

O GDiscovery está aqui todos os dias trazendo informações confiáveis e independentes sobre o universo Google - e isso só é possível com o apoio de pessoas como você. 🙌

Com apenas R$ 5 por mês, você ajuda a manter este trabalho no ar e leva informação de qualidade para ainda mais gente!

Clique aqui e faça parte da nossa rede de apoiadores.

Seguir:
Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
Nenhum comentário