Alphabet projeta gastar até US$ 185 bilhões em IA e mercado reage com queda das ações

Renê Fraga
3 min de leitura

Principais destaques

  • A Alphabet planeja investir entre US$ 175 bilhões e US$ 185 bilhões em despesas de capital em 2026, com foco em infraestrutura de inteligência artificial.
  • O valor ficou muito acima das projeções de Wall Street e provocou forte queda das ações no pregão estendido, apesar do bom resultado financeiro.
  • O Google Cloud e o Gemini seguem como pilares do crescimento, reforçando a aposta de longo prazo da empresa em IA.

A Alphabet surpreendeu o mercado ao divulgar que pretende elevar drasticamente seus investimentos em 2026.

Mesmo com uma receita trimestral acima do esperado, os investidores reagiram negativamente ao tamanho do compromisso financeiro, considerado um salto expressivo frente às estimativas anteriores.

Resultados fortes, mas preocupação com os gastos

No quarto trimestre, a controladora do Google registrou receita de US$ 113,8 bilhões, crescimento de 18% em relação ao mesmo período do ano anterior.

O número superou as previsões do mercado, que apontavam cerca de US$ 111,4 bilhões. Ainda assim, o anúncio de um plano de investimentos tão elevado ofuscou o desempenho operacional e pressionou os papéis da empresa.

Segundo analistas, o mercado não questiona a capacidade de geração de receita da Alphabet, mas demonstra cautela com o impacto que um capex desse porte pode ter sobre margens e fluxo de caixa no curto e médio prazo.

IA no centro da estratégia do Google

No comunicado de resultados, o CEO Sundar Pichai afirmou que a demanda crescente por soluções de inteligência artificial exige uma expansão acelerada da infraestrutura.

Isso inclui data centers, chips especializados e sistemas capazes de sustentar modelos cada vez maiores.

O Google Cloud atingiu uma taxa anualizada superior a US$ 70 bilhões, com crescimento trimestral de quase 50%. Já o Gemini, principal aplicativo de IA da empresa, alcançou mais de 750 milhões de usuários ativos mensais, reforçando a importância da tecnologia no ecossistema do Google.

A corrida bilionária das big techs

O movimento da Alphabet se soma à escalada de investimentos de outras gigantes do setor. Empresas como Microsoft, Meta e Amazon também ampliaram seus orçamentos para IA, transformando 2026 em um ano-chave para a disputa tecnológica.

Estimativas de mercado indicam que as quatro maiores hyperscalers podem gastar juntas mais de US$ 500 bilhões em infraestrutura de IA no próximo ano.

Para analistas, a estratégia da Alphabet deixa claro que a empresa prefere absorver o impacto financeiro agora para não perder espaço em um mercado que deve definir o futuro da tecnologia.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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