Principais destaques
- Executivos do Google afirmaram que a empresa atua como provedora de nuvem preferencial da Apple no desenvolvimento de novos modelos de IA.
- As declarações levantam dúvidas sobre onde a nova Siri aprimorada com Gemini realmente será executada.
- A Apple mantém o discurso de que seus recursos de IA seguem padrões rígidos de privacidade, mesmo com a parceria ampliada.
Executivos do Google reacenderam o debate sobre a infraestrutura por trás da nova Siri ao sugerirem que a assistente com tecnologia Gemini pode operar em servidores do próprio Google.
As falas contrastam com a comunicação pública da Apple, que vem reforçando que suas soluções de inteligência artificial priorizam o processamento local e o uso do Private Cloud Compute.
As declarações ocorreram durante a teleconferência de resultados da Alphabet referente ao quarto trimestre de 2025.
Na ocasião, o CEO Sundar Pichai e o diretor de negócios Philipp Schindler afirmaram que o Google colabora com a Apple como seu principal provedor de nuvem para desenvolver a próxima geração de modelos fundamentais baseados no Gemini.
Parceria vai além do que a Apple vinha indicando
A colaboração entre as empresas foi anunciada oficialmente em janeiro, com a promessa de uma Siri mais personalizada integrada ao pacote Apple Intelligence.
No comunicado inicial, a Apple destacou que seus recursos continuariam rodando em dispositivos próprios ou em sua nuvem privada, mantendo o foco em privacidade e segurança.
Poucos dias depois, durante a apresentação de resultados da Apple, o CEO Tim Cook reforçou essa narrativa ao afirmar que a empresa seguiria com processamento no dispositivo e no Private Cloud Compute.
No entanto, o tom adotado pelos executivos do Google sugere uma participação mais profunda da infraestrutura da empresa, o que gerou questionamentos no mercado.
Privacidade entra novamente no centro do debate
A possível execução de recursos avançados da Siri em servidores do Google, potencialmente baseados em TPUs, levanta dúvidas sobre como a Apple conciliará essa arquitetura com seu discurso histórico de privacidade.
Analistas apontam que funções no estilo chatbot, com acesso a dados pessoais e conteúdo da tela, exigem maior capacidade computacional.
Até o momento, nenhuma das duas companhias esclareceu diretamente a divergência. Durante a teleconferência da Alphabet, perguntas de investidores sobre os detalhes técnicos da parceria não foram respondidas, aumentando a sensação de incerteza.
Impacto estratégico para Google e Apple
Para o Google, o acordo representa acesso direto a uma base instalada de cerca de 2,5 bilhões de dispositivos ativos da Apple.
Relatórios indicam que a Apple deve pagar cerca de US$ 1 bilhão por ano pelo uso da tecnologia Gemini, invertendo a lógica tradicional do acordo de busca, no qual o Google remunera a Apple.
Segundo o jornalista Mark Gurman, da Bloomberg, a Apple planeja demonstrar as novas capacidades da Siri ainda neste semestre, com testes beta previstos para uma futura versão do iOS 26.4.
A empresa também teria avaliado soluções concorrentes, como as da Anthropic, mas os custos mais elevados teriam pesado na decisão final.
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