Executivos do Google indicam que Siri com Gemini pode rodar em servidores da empresa

Renê Fraga
4 min de leitura

Principais destaques

  • Executivos do Google afirmaram que a empresa atua como provedora de nuvem preferencial da Apple no desenvolvimento de novos modelos de IA.
  • As declarações levantam dúvidas sobre onde a nova Siri aprimorada com Gemini realmente será executada.
  • A Apple mantém o discurso de que seus recursos de IA seguem padrões rígidos de privacidade, mesmo com a parceria ampliada.

Executivos do Google reacenderam o debate sobre a infraestrutura por trás da nova Siri ao sugerirem que a assistente com tecnologia Gemini pode operar em servidores do próprio Google.

As falas contrastam com a comunicação pública da Apple, que vem reforçando que suas soluções de inteligência artificial priorizam o processamento local e o uso do Private Cloud Compute.

As declarações ocorreram durante a teleconferência de resultados da Alphabet referente ao quarto trimestre de 2025.

Na ocasião, o CEO Sundar Pichai e o diretor de negócios Philipp Schindler afirmaram que o Google colabora com a Apple como seu principal provedor de nuvem para desenvolver a próxima geração de modelos fundamentais baseados no Gemini.

Parceria vai além do que a Apple vinha indicando

A colaboração entre as empresas foi anunciada oficialmente em janeiro, com a promessa de uma Siri mais personalizada integrada ao pacote Apple Intelligence.

No comunicado inicial, a Apple destacou que seus recursos continuariam rodando em dispositivos próprios ou em sua nuvem privada, mantendo o foco em privacidade e segurança.

Poucos dias depois, durante a apresentação de resultados da Apple, o CEO Tim Cook reforçou essa narrativa ao afirmar que a empresa seguiria com processamento no dispositivo e no Private Cloud Compute.

No entanto, o tom adotado pelos executivos do Google sugere uma participação mais profunda da infraestrutura da empresa, o que gerou questionamentos no mercado.

Privacidade entra novamente no centro do debate

A possível execução de recursos avançados da Siri em servidores do Google, potencialmente baseados em TPUs, levanta dúvidas sobre como a Apple conciliará essa arquitetura com seu discurso histórico de privacidade.

Analistas apontam que funções no estilo chatbot, com acesso a dados pessoais e conteúdo da tela, exigem maior capacidade computacional.

Até o momento, nenhuma das duas companhias esclareceu diretamente a divergência. Durante a teleconferência da Alphabet, perguntas de investidores sobre os detalhes técnicos da parceria não foram respondidas, aumentando a sensação de incerteza.

Impacto estratégico para Google e Apple

Para o Google, o acordo representa acesso direto a uma base instalada de cerca de 2,5 bilhões de dispositivos ativos da Apple.

Relatórios indicam que a Apple deve pagar cerca de US$ 1 bilhão por ano pelo uso da tecnologia Gemini, invertendo a lógica tradicional do acordo de busca, no qual o Google remunera a Apple.

Segundo o jornalista Mark Gurman, da Bloomberg, a Apple planeja demonstrar as novas capacidades da Siri ainda neste semestre, com testes beta previstos para uma futura versão do iOS 26.4.

A empresa também teria avaliado soluções concorrentes, como as da Anthropic, mas os custos mais elevados teriam pesado na decisão final.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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