Google alerta para risco quântico iminente e cobra mudança urgente na criptografia global

Renê Fraga
4 min de leitura

Principais destaques

  • O Google afirma que ameaças da computação quântica deixaram de ser teóricas e já exigem ação imediata.
  • Ataques do tipo “armazene agora, descriptografe depois” já estariam em andamento, segundo a empresa.
  • O Google diz estar avançado na migração para criptografia pós-quântica e pressiona governos e empresas a acelerar o processo.

O Google publicou nesta semana um alerta considerado um dos mais diretos já feitos pela empresa sobre os riscos da computação quântica para a segurança digital.

Segundo a companhia, os sistemas de criptografia usados hoje para proteger dados financeiros, comunicações e segredos comerciais podem se tornar obsoletos mais rápido do que o esperado, à medida que computadores quânticos mais poderosos se aproximam da realidade prática.

O aviso foi assinado por Kent Walker, presidente de Assuntos Globais da Alphabet, que destacou que a ideia de que computadores quânticos capazes de quebrar criptografia ainda estariam “a décadas de distância” já não é segura.

Para ele, o risco passou a ser iminente e exige decisões agora, não apenas planejamento de longo prazo.

A ameaça do “armazene agora, descriptografe depois”

Um dos pontos centrais do alerta é a confirmação de que agentes maliciosos já estão coletando grandes volumes de dados criptografados.

A estratégia é simples: guardar informações sensíveis hoje e esperar que, no futuro, máquinas quânticas sejam capazes de quebrar as proteções atuais.

De acordo com o Google, esse tipo de ataque pode comprometer registros financeiros, propriedade intelectual e até comunicações governamentais sigilosas.

Mesmo dados considerados seguros no presente podem se tornar vulneráveis retroativamente, o que amplia o impacto potencial do problema.

Migração do Google para criptografia pós-quântica

O Google afirma que já está adiantado na adoção da chamada criptografia pós-quântica, seguindo os padrões definidos pelo NIST.

A empresa concluiu a migração das trocas de chaves internas para o algoritmo ML-KEM, padronizado em 2024, e diz que todos os seus serviços, além de soluções nativas selecionadas do Google Cloud, já usam proteção resistente a ataques quânticos por padrão.

Para Walker, a nuvem tem um papel central nesse processo, pois permite atualizações criptográficas mais rápidas e em larga escala, algo difícil de reproduzir em infraestruturas locais mais antigas.

Pressão sobre governos e indústria

Além de relatar seus próprios avanços, o Google apresentou recomendações claras para formuladores de políticas públicas.

Entre elas estão a necessidade de um esforço coordenado em toda a sociedade, a priorização de infraestruturas críticas como energia e saúde e a adoção de padrões globais para evitar fragmentação.

O alerta surge enquanto o governo dos Estados Unidos discute novas diretrizes para tecnologias quânticas. Apesar disso, iniciativas recentes ainda deixam lacunas específicas sobre criptografia pós-quântica, algo que o Google parece tentar endereçar com sua atuação pública.

A CISA já indicou que contratos governamentais devem exigir conformidade com esses novos padrões a partir de 2026.

Mesmo assim, a preparação do setor privado é limitada. Dados citados pelo Google Cloud mostram que apenas 9% das organizações possuem hoje um plano estruturado para a transição pós-quântica, reforçando o alerta de que o tempo para reagir pode ser menor do que muitos imaginam.

✨ Curtiu este conteúdo?

O GDiscovery está aqui todos os dias trazendo informações confiáveis e independentes sobre o universo Google - e isso só é possível com o apoio de pessoas como você. 🙌

Com apenas R$ 5 por mês, você ajuda a manter este trabalho no ar e leva informação de qualidade para ainda mais gente!

Clique aqui e faça parte da nossa rede de apoiadores.

Seguir:
Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
Nenhum comentário