Principais destaques
- O Google afirma que ameaças da computação quântica deixaram de ser teóricas e já exigem ação imediata.
- Ataques do tipo “armazene agora, descriptografe depois” já estariam em andamento, segundo a empresa.
- O Google diz estar avançado na migração para criptografia pós-quântica e pressiona governos e empresas a acelerar o processo.
O Google publicou nesta semana um alerta considerado um dos mais diretos já feitos pela empresa sobre os riscos da computação quântica para a segurança digital.
Segundo a companhia, os sistemas de criptografia usados hoje para proteger dados financeiros, comunicações e segredos comerciais podem se tornar obsoletos mais rápido do que o esperado, à medida que computadores quânticos mais poderosos se aproximam da realidade prática.
O aviso foi assinado por Kent Walker, presidente de Assuntos Globais da Alphabet, que destacou que a ideia de que computadores quânticos capazes de quebrar criptografia ainda estariam “a décadas de distância” já não é segura.
Para ele, o risco passou a ser iminente e exige decisões agora, não apenas planejamento de longo prazo.
A ameaça do “armazene agora, descriptografe depois”
Um dos pontos centrais do alerta é a confirmação de que agentes maliciosos já estão coletando grandes volumes de dados criptografados.
A estratégia é simples: guardar informações sensíveis hoje e esperar que, no futuro, máquinas quânticas sejam capazes de quebrar as proteções atuais.
De acordo com o Google, esse tipo de ataque pode comprometer registros financeiros, propriedade intelectual e até comunicações governamentais sigilosas.
Mesmo dados considerados seguros no presente podem se tornar vulneráveis retroativamente, o que amplia o impacto potencial do problema.
Migração do Google para criptografia pós-quântica
O Google afirma que já está adiantado na adoção da chamada criptografia pós-quântica, seguindo os padrões definidos pelo NIST.
A empresa concluiu a migração das trocas de chaves internas para o algoritmo ML-KEM, padronizado em 2024, e diz que todos os seus serviços, além de soluções nativas selecionadas do Google Cloud, já usam proteção resistente a ataques quânticos por padrão.
Para Walker, a nuvem tem um papel central nesse processo, pois permite atualizações criptográficas mais rápidas e em larga escala, algo difícil de reproduzir em infraestruturas locais mais antigas.
Pressão sobre governos e indústria
Além de relatar seus próprios avanços, o Google apresentou recomendações claras para formuladores de políticas públicas.
Entre elas estão a necessidade de um esforço coordenado em toda a sociedade, a priorização de infraestruturas críticas como energia e saúde e a adoção de padrões globais para evitar fragmentação.
O alerta surge enquanto o governo dos Estados Unidos discute novas diretrizes para tecnologias quânticas. Apesar disso, iniciativas recentes ainda deixam lacunas específicas sobre criptografia pós-quântica, algo que o Google parece tentar endereçar com sua atuação pública.
A CISA já indicou que contratos governamentais devem exigir conformidade com esses novos padrões a partir de 2026.
Mesmo assim, a preparação do setor privado é limitada. Dados citados pelo Google Cloud mostram que apenas 9% das organizações possuem hoje um plano estruturado para a transição pós-quântica, reforçando o alerta de que o tempo para reagir pode ser menor do que muitos imaginam.
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