Google Gemini passa a bloquear personagens da Disney após pressão jurídica

Renê Fraga
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Principais destaques

  • O Google começou a restringir a geração de imagens de personagens da Disney no Google Gemini.
  • A mudança ocorreu após uma carta de cessação e desistência enviada pela Disney em dezembro de 2025.
  • O bloqueio é parcial e inconsistente, afetando mais propriedades da Marvel e Star Wars do que personagens clássicos.

O Google passou a limitar a criação de imagens de alguns personagens da Disney em seu serviço de inteligência artificial Gemini.

Usuários que tentam gerar imagens de figuras conhecidas como Elsa, Darth Vader, Homem-Aranha e Moana agora recebem uma mensagem informando que o pedido não pode ser atendido por preocupações de provedores de conteúdo de terceiros.

A alteração indica que o Google decidiu atender ao menos parte das exigências legais da Disney, que acusa a empresa de uso indevido de personagens protegidos por direitos autorais em ferramentas de IA generativa.

A origem do bloqueio está em uma carta de 32 páginas enviada pela Disney em 10 de dezembro de 2025, por meio do escritório Jenner & Block.

No documento, a empresa afirma que o Google estaria infringindo direitos autorais em larga escala ao permitir que suas IAs reproduzissem personagens icônicos sem autorização.

Segundo a Disney, ferramentas como Gemini, Veo e Imagen seriam capazes de recriar e distribuir versões de personagens de franquias como Frozen, O Rei Leão, Star Wars e Deadpool.

A empresa também alegou que o Google não teria adotado medidas técnicas suficientes para impedir essas violações, mesmo após meses de conversas.

Bloqueio ainda é aplicado de forma irregular

Testes feitos por diferentes veículos mostram que a aplicação das restrições não é totalmente uniforme.

Personagens adquiridos pela Disney, como os da Marvel e de Star Wars, parecem ser bloqueados com mais frequência. Já figuras clássicas como Mickey Mouse, Minnie Mouse e Pato Donald ainda conseguem ser geradas em algumas situações.

Isso sugere que o Google está ajustando seus filtros gradualmente, possivelmente priorizando propriedades mais sensíveis do ponto de vista jurídico ou com maior risco comercial.

Contraste com acordo entre Disney e OpenAI

A postura mais dura adotada contra o Google contrasta com o acordo fechado pela Disney com a OpenAI na mesma semana da notificação extrajudicial.

A empresa investiu US$ 1 bilhão na OpenAI e licenciou mais de 200 personagens para uso no gerador de vídeos Sora, dentro de termos específicos.

O movimento deixa claro que a Disney não é contra o uso de IA em si, mas defende que isso ocorra apenas por meio de acordos formais de licenciamento.

Para o mercado, o caso reforça a tendência de maior pressão sobre empresas de tecnologia para controlar conteúdo gerado por IA e negociar direitos autorais de forma direta.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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