Hackers ligados a governos usam IA do Google para turbinar ciberataques

Renê Fraga
4 min de leitura

Principais destaques

  • Grupos patrocinados por China, Irã, Coreia do Norte e Rússia estão usando a IA Gemini em todas as fases de ataques cibernéticos
  • Relatório do Grupo de Inteligência de Ameaças do Google detalha uso da tecnologia para phishing, malware e espionagem
  • Empresa afirma ter desativado contas e reforçado sistemas de proteção contra abuso da plataforma

Um novo relatório divulgado pelo Google revela que hackers apoiados por governos estrangeiros estão utilizando a inteligência artificial Gemini como ferramenta estratégica em operações de ciberataque.

Segundo o documento do Grupo de Inteligência de Ameaças do Google, a tecnologia tem sido explorada desde a fase de reconhecimento inicial até o roubo efetivo de dados.

O estudo aponta atividades associadas a grupos da China, Irã, Coreia do Norte e Rússia, que teriam transformado modelos de linguagem avançados em instrumentos centrais para pesquisa técnica, seleção de alvos e criação de campanhas sofisticadas de phishing.

Atores chineses ampliam uso estratégico da IA

Entre os casos citados está o grupo chinês APT31, que teria utilizado o Gemini assumindo uma persona de especialista em cibersegurança para automatizar análises de vulnerabilidades em alvos nos Estados Unidos. A investigação indica que os criminosos exploraram falhas como execução remota de código, técnicas de evasão de firewalls e injeções SQL.

Outro grupo identificado foi o Temp.HEX, que teria coletado informações detalhadas sobre indivíduos no Paquistão e monitorado organizações separatistas. De acordo com o relatório, essas informações foram posteriormente usadas em campanhas direcionadas.

Além deles, também aparecem no levantamento o iraniano APT42 e o norte-coreano UNC2970, ambos descritos como usuários ativos da IA para acelerar processos técnicos e operacionais.

Nova geração de malware usa API da IA

O relatório destaca ainda o surgimento de uma nova família de malware chamada HONESTCUE, detectada pela primeira vez em setembro de 2025. O código malicioso utiliza a API do Gemini para gerar automaticamente trechos em C# que funcionam como cargas secundárias de ataque.

O diferencial é que o malware opera diretamente na memória do sistema, sem gravar arquivos no disco, o que dificulta sua detecção por antivírus tradicionais.

Pesquisadores também identificaram um kit clandestino chamado Xanthorox, comercializado como uma IA ofensiva personalizada. Na prática, a ferramenta utilizava produtos comerciais, incluindo o Gemini, por meio de chaves de API roubadas de usuários comprometidos.

Ataques tentam copiar a inteligência do modelo

Outro ponto de alerta envolve o aumento dos chamados ataques de destilação, técnica em que agentes maliciosos submetem milhares de comandos ao modelo para tentar replicar sua lógica interna.

Segundo o Google DeepMind, uma das campanhas analisadas realizou cerca de 100 mil consultas com o objetivo de reproduzir a capacidade de raciocínio da IA. A empresa classificou essa prática como roubo de propriedade intelectual, já que permite acelerar o desenvolvimento de sistemas concorrentes com custo reduzido.

O Google informou que desativou contas e infraestruturas associadas às atividades identificadas e afirmou que continua aprimorando seus mecanismos de proteção para evitar novos abusos.

A revelação reforça um debate cada vez mais urgente: à medida que a inteligência artificial avança, também cresce o desafio de impedir que a mesma tecnologia seja usada para fins maliciosos.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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