Google DeepMind diz que AlphaFold já é usado por 3 milhões de pesquisadores

Renê Fraga
4 min de leitura

Principais destaques

  • Banco de dados do AlphaFold já é utilizado por mais de 3 milhões de pesquisadores em 190 países
  • Mais de um terço dos usuários está em nações de renda baixa e média
  • Tecnologia baseada em IA acelera descobertas científicas que levariam milhões de anos por métodos tradicionais

O Google DeepMind anunciou que o AlphaFold Protein Database, sua plataforma de previsão de estruturas de proteínas, já é utilizado por mais de 3 milhões de cientistas espalhados por 190 países.

O número evidencia como a IA está deixando de ser apenas assunto de chatbots e passando a ocupar um papel central na pesquisa científica global.

O anúncio foi feito por Demis Hassabis, CEO do Google DeepMind, e por James Manyika, vice-presidente sênior do Google, em um artigo publicado antes da Cúpula de Impacto da IA na Índia.

Segundo eles, a ferramenta gratuita tornou-se praticamente padrão para pesquisadores que enfrentam desafios urgentes em saúde, agricultura e meio ambiente.

O que torna o AlphaFold tão revolucionário

Desenvolvido pelo Google DeepMind, o AlphaFold solucionou um problema que desafiou cientistas por cerca de cinco décadas: prever a estrutura tridimensional de proteínas a partir de sequências de aminoácidos. Essa conquista rendeu a Demis Hassabis e John Jumper o Prêmio Nobel de Química.

Hoje, o banco de dados reúne mais de 240 milhões de previsões estruturais, cobrindo a maioria das proteínas conhecidas pela ciência. Estimativas apontam que reproduzir esse volume de informações por métodos experimentais tradicionais exigiria centenas de milhões de anos de trabalho acumulado.

Na prática, isso significa acelerar drasticamente o desenvolvimento de medicamentos, o estudo de doenças infecciosas e a criação de culturas agrícolas mais resistentes.

Aplicações que vão além dos laboratórios de elite

Um dos pontos mais destacados pelos executivos é o alcance democrático da ferramenta. Mais de um terço dos usuários está baseado em países de renda baixa e média, o que amplia o acesso à pesquisa de ponta.

Na Malásia, pesquisadores utilizam o AlphaFold para estudar a melioidose, doença infecciosa considerada mais letal que a dengue em determinadas regiões. Na Índia, cientistas aplicam a tecnologia para desenvolver soja resistente à podridão do carvão, uma praga que afeta plantações e a segurança alimentar.

A IA, portanto, deixa de ser apenas uma promessa tecnológica e passa a atuar como aliada direta na resolução de problemas locais com impacto global.

Um ecossistema crescente de ferramentas científicas

O AlphaFold é apenas uma peça de um conjunto maior de soluções de IA desenvolvidas pelo Google DeepMind. A empresa também vem investindo em sistemas como o AI co-scientist, voltado à geração de hipóteses de pesquisa, o EarthAI para monitoramento ambiental e o AlphaGenome, capaz de prever mutações associadas ao câncer.

Na área da saúde pública, modelos de detecção de retinopatia diabética já foram usados em cerca de 600 mil triagens médicas ao redor do mundo. Parcerias na Índia e na Tailândia devem ampliar esse número para milhões de exames na próxima década.

Cooperação global como próximo passo

O anúncio antecede a Cúpula India AI Impact, marcada para ocorrer em Nova Délhi, considerada a primeira grande conferência global de IA sediada por um país do Sul Global. Para os executivos, o avanço da inteligência artificial científica depende de colaboração entre empresas, governos e instituições acadêmicas.

A mensagem central é clara: tornar a IA acessível globalmente pode permitir que as próximas grandes descobertas científicas surjam de qualquer lugar do mundo.

✨ Curtiu este conteúdo?

O GDiscovery está aqui todos os dias trazendo informações confiáveis e independentes sobre o universo Google - e isso só é possível com o apoio de pessoas como você. 🙌

Com apenas R$ 5 por mês, você ajuda a manter este trabalho no ar e leva informação de qualidade para ainda mais gente!

Clique aqui e faça parte da nossa rede de apoiadores.

Seguir
Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
Nenhum comentário