Principais destaques
- Ações da Spotify sobem e recuam no mesmo dia após anúncio do Google sobre música gerada por IA
- Lyria 3, do Google DeepMind, cria faixas completas a partir de texto, imagem ou vídeo
- Analistas alertam que a IA pode transformar estruturalmente o streaming pago
As ações da Spotify viveram um dia de forte instabilidade depois que o Google anunciou a integração da ferramenta de geração musical Lyria 3 ao assistente Gemini.
O papel chegou a subir cerca de 5% nas primeiras horas do pregão, mas perdeu força pouco depois, estabilizando com alta mais moderada ao longo do dia, segundo dados divulgados pela TipRanks.
O movimento revela algo maior do que uma simples oscilação de mercado. Ele expõe a crescente tensão entre plataformas de streaming e o avanço acelerado da inteligência artificial generativa na música.
A IA que cria músicas em segundos
A nova tecnologia foi desenvolvida pelo Google DeepMind e permite que usuários criem músicas de até 30 segundos usando apenas comandos de texto, imagens ou até vídeos. O sistema gera melodia, letra e até arte de capa automaticamente.
Com o lançamento global para maiores de 18 anos, o Google se torna a primeira grande empresa de tecnologia a incorporar geração musical diretamente em um assistente de IA de alcance massivo. Isso muda o jogo. Diferentemente de plataformas especializadas como Suno e Udio, o Gemini já possui base de usuários consolidada.
A música generativa deixa de ser nicho experimental e passa a ocupar o centro do ecossistema digital.
Mercado reage ao risco estrutural
A volatilidade das ações da Spotify não aconteceu no vazio. Na semana anterior, a Pivotal Research rebaixou a recomendação da empresa de compra para manutenção, reduzindo drasticamente o preço-alvo. O analista Jeffrey Wlodarczak apontou incertezas significativas sobre o futuro do streaming premium diante das mudanças trazidas pela IA.
Segundo a análise, a transformação pode impactar tanto o número de usuários ativos quanto a receita média por assinante. A preocupação central é clara: se qualquer pessoa puder gerar música personalizada instantaneamente, qual será o papel das plataformas que dependem de catálogos tradicionais?
O cenário se agrava quando observamos dados da Deezer. A empresa revelou que aproximadamente 18% das faixas enviadas diariamente já são criadas por inteligência artificial. No início de 2025 eram cerca de 10 mil músicas puramente geradas por IA por dia. Hoje, esse número gira em torno de 50 mil.
Isso não é apenas inovação. É escala industrial.
Direitos autorais e contenção de danos
Para evitar conflitos legais, o Google afirma que o Lyria 3 foi projetado para criar conteúdo original, não para imitar artistas específicos. Caso um usuário mencione um nome conhecido, o sistema interpreta como inspiração ampla, e não como reprodução direta.
Além disso, todas as faixas recebem marca d’água digital via SynthID, tecnologia que identifica conteúdos gerados por IA. Usuários também podem verificar arquivos de áudio para saber se foram produzidos pela ferramenta.
Mesmo com essas salvaguardas, o impacto competitivo é inevitável. O Spotify, liderado por Daniel Ek, vinha de resultados positivos e projeções otimistas de lucratividade. Porém, a integração de música generativa em um assistente amplamente utilizado adiciona uma nova camada de incerteza.
A indústria musical está entrando em uma fase onde criação, consumo e monetização passam a ser reconfigurados por algoritmos capazes de compor em segundos. Para investidores e empresas, a pergunta já não é se a IA vai transformar o setor. A dúvida agora é quem conseguirá se adaptar primeiro.
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