Google lança certificado profissional em IA para enfrentar déficit de capacitação no mercado

Renê Fraga
4 min de leitura

Principais destaques

  • Apenas 5% dos trabalhadores usam IA de forma realmente transformadora
  • Novo certificado busca reduzir a lacuna entre adoção e qualificação
  • Grandes empresas já aderiram ao programa para treinar suas equipes

O Google anunciou nesta semana um novo Certificado Profissional em Inteligência Artificial, iniciativa que surge em meio a dados preocupantes sobre a preparação dos trabalhadores para a nova era digital.

A novidade foi apresentada durante o AI Impact Summit 2026, realizado em Nova Délhi, e reforça a estratégia da empresa de ampliar o acesso à formação prática em IA.

Pesquisas recentes mostram que, embora a inteligência artificial esteja cada vez mais presente no ambiente corporativo, a maioria dos profissionais ainda utiliza essas ferramentas apenas para tarefas básicas. O desafio agora não é mais acesso à tecnologia, mas sim capacitação de qualidade.

Google AI Professional Certificate: Take AI from a tool you use to a professional collaborator

A lacuna entre uso e domínio da IA

Um levantamento conduzido pelo Google em parceria com a Ipsos revelou que a adoção da IA cresceu rapidamente nos últimos anos. No entanto, os resultados indicam que poucos trabalhadores realmente incorporaram a tecnologia de maneira estratégica em suas rotinas.

Outro estudo da EY, com 15 mil funcionários em 29 países, apontou que 88% já utilizam IA no trabalho. Apesar disso, somente 5% afirmam explorar todo o potencial dessas ferramentas para transformar suas funções. Especialistas classificam essa diferença como uma desconexão crítica entre disponibilidade tecnológica e uso qualificado.

Além disso, 70% dos gestores consideram essencial contar com equipes treinadas em IA, mas apenas 14% dos trabalhadores receberam algum tipo de formação específica na área. O novo certificado do Google nasce justamente para preencher essa lacuna.

O que oferece o novo Certificado Profissional em IA

Desenvolvido em colaboração com o Burning Glass Institute e a Skills First Workforce Initiative, o programa foi estruturado para atender às competências mais exigidas pelo mercado.

A certificação cobre seis áreas principais:

  • Comunicação com apoio de IA
  • Pesquisa e análise de informações
  • Análise de dados
  • Criação de conteúdo
  • Planejamento e organização
  • Vibe coding, prática que utiliza IA como suporte no desenvolvimento de software

Os participantes terão três meses de acesso gratuito ao Google AI Pro, permitindo experimentar modelos avançados e aplicar o conhecimento na prática.

Durante o anúncio, o CEO do Google, Sundar Pichai, destacou que a empresa já treinou 100 milhões de pessoas em habilidades digitais e que o novo certificado representa mais um passo para preparar profissionais para o futuro do trabalho.

Empresas aderem e desigualdade de adoção preocupa

Grandes companhias já confirmaram participação no programa. Walmart e Sam’s Club, Deloitte, Verizon e Colgate-Palmolive pretendem oferecer a certificação a seus funcionários como parte de suas estratégias internas de qualificação.

Apesar desse movimento, os dados indicam que o uso frequente de IA ainda está concentrado em setores como tecnologia, finanças e serviços profissionais. Segundo a Gallup, cerca de 30% dos profissionais de tecnologia utilizam IA diariamente. Em áreas como manufatura e varejo, o índice permanece abaixo de 10% e praticamente não evoluiu desde 2023.

Especialistas alertam que, à medida que a IA se consolida no ambiente corporativo, a diferença entre profissionais que dominam essas ferramentas e aqueles que resistem à adoção tende a aumentar. O novo certificado do Google surge, portanto, como uma tentativa concreta de democratizar o acesso ao conhecimento e evitar que essa divisão se torne ainda mais profunda.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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