Google alerta que Irã está lançando ataques cibernéticos globalmente em meio à guerra

Renê Fraga
4 min de leitura

Principais destaques

  • Google e empresas de segurança detectam aumento expressivo de ataques ligados ao Irã
  • Mais de 150 incidentes foram registrados em apenas dois dias, segundo a CloudSEK
  • Especialistas alertam que a ofensiva pode atingir EUA, países do Golfo e aliados de Israel

A guerra entre Israel e Irã ganhou um novo campo de batalha. Além das ações militares, o conflito agora avança com força no ambiente digital.

O Google, por meio de sua equipe de inteligência de ameaças, alertou que grupos ligados ao governo iraniano estão promovendo uma onda coordenada de ataques cibernéticos contra alvos estratégicos dentro e fora do Oriente Médio.

Entre os dias 28 de fevereiro e 1º de março, a empresa de segurança CloudSEK identificou mais de 150 incidentes reivindicados publicamente por grupos hacktivistas.

Os alvos incluem setores sensíveis como energia, finanças, telecomunicações, aviação e órgãos governamentais. Especialistas classificam a ofensiva como uma das maiores campanhas digitais já associadas diretamente a um conflito militar em andamento.

Ataques coordenados miram infraestrutura crítica

Segundo a CloudSEK, os ataques foram principalmente do tipo DDoS, quando sites e sistemas são sobrecarregados até saírem do ar, além de invasões com alteração de páginas oficiais e vazamento de dados.

A ofensiva ocorreu logo após as operações militares chamadas Operação Leão Rugidor e Operação Fúria Épica, iniciadas em 28 de fevereiro.

Entre os grupos envolvidos está o coletivo Handala, que assumiu a responsabilidade por um ataque contra a Israel Opportunity Energy, empresa de exploração de petróleo e gás.

Outro grupo relacionado, conhecido como Handala Hack, também reivindicou ações na Jordânia e ameaçou expandir as operações pela região.

Um coletivo autodenominado Eixo da Resistência Cibernética Islâmica afirmou ter atacado sistemas ligados à defesa aérea da empresa israelense Rafael e um serviço de detecção de drones chamado VigilAir.

O grupo também teria tentado recrutar especialistas em segurança digital para ampliar a ofensiva.

Google prevê expansão dos ataques para além do Oriente Médio

O alerta mais preocupante veio de John Hultquist, chefe de inteligência de ameaças do Google. Em entrevista à imprensa internacional, ele afirmou que os ataques devem ultrapassar as fronteiras da região.

Segundo Hultquist, parte dos chamados grupos hacktivistas pode funcionar como fachada para estruturas ligadas ao Corpo da Guarda Revolucionária Iraniana.

Ele também alertou que ataques de ransomware podem ser utilizados como disfarce para ações destrutivas mais amplas.

Empresas como Anomali e SentinelOne reforçaram o alerta. Elas identificaram movimentações de grupos avançados associados ao governo iraniano, como APT42 e APT33, conhecidos por campanhas sofisticadas.

A expectativa é que redes de defesa, inteligência e infraestrutura governamental de Israel, Estados Unidos e países do Golfo estejam entre os principais alvos.

Guerra híbrida redefine o conflito

Enquanto mísseis e drones seguem sendo usados em ataques militares convencionais, especialistas afirmam que o ciberespaço se tornou a principal arma assimétrica do Irã.

Com parte de sua capacidade militar impactada pelos bombardeios, o país estaria investindo mais fortemente em operações digitais.

Curiosamente, a própria infraestrutura de internet iraniana sofreu interrupções significativas após os ataques militares, com registros de perda quase total de conectividade por cerca de 48 horas.

Ainda assim, analistas observam que as redes de proxy e grupos aliados continuam operando, demonstrando capacidade de sustentar campanhas digitais mesmo sob restrições.

Para o Google e outras empresas de segurança, o cenário atual mostra que conflitos modernos não se limitam ao campo físico. A guerra digital agora é peça central da estratégia geopolítica global, e seus efeitos podem ser sentidos muito além das fronteiras do Oriente Médio.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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