Meta adia modelo de IA Avocado para maio e considera licenciar o Gemini

Renê Fraga
4 min de leitura

Principais destaques

  • A Meta adiou o lançamento do modelo de IA Avocado para não antes de maio de 2026.
  • A empresa estuda licenciar temporariamente o Gemini, do Google, para reforçar seus produtos.
  • O atraso aumenta a pressão para competir com OpenAI, Google e Anthropic na corrida da inteligência artificial.

A corrida global pela inteligência artificial ganhou mais um capítulo inesperado. A Meta decidiu adiar novamente o lançamento de seu novo modelo de IA de fronteira, conhecido internamente pelo codinome Avocado. A estreia, inicialmente planejada para março, agora deve acontecer apenas a partir de maio de 2026.

O atraso acontece em um momento crítico para a empresa de Mark Zuckerberg, que investe bilhões para tentar alcançar os principais nomes da indústria de IA. Enquanto o Avocado continua em desenvolvimento, a companhia avalia uma medida pouco comum: licenciar temporariamente o modelo Gemini, desenvolvido pelo Google, para fortalecer seus próprios produtos.

Um projeto ambicioso que não para de atrasar

O Avocado já enfrentou diversos adiamentos desde que começou a ser desenvolvido. Dentro da Meta, o plano original era lançar o modelo antes do final de 2025. No entanto, desafios no treinamento e na avaliação de desempenho fizeram o cronograma escorregar para o início de 2026.

Mesmo assim, os problemas persistiram. Testes internos indicaram que o modelo ainda não atingiu o nível esperado para competir diretamente com as tecnologias mais avançadas do mercado.

Em um memorando interno divulgado no começo de fevereiro, a gerente de produto Megan Fu descreveu o Avocado como o modelo pré-treinado mais capaz já criado pela Meta. Ainda assim, ele precisaria passar por etapas importantes de refinamento antes de chegar ao público.

A pressão dentro dos laboratórios de IA da Meta

O desenvolvimento do Avocado acontece dentro do TBD Lab, uma divisão considerada de elite dentro do Meta Superintelligence Labs. O grupo é liderado por Alexandr Wang, executivo que entrou para a empresa após um acordo bilionário envolvendo talentos da Scale AI.

A equipe trabalha sob intensa pressão para acelerar os resultados. Segundo relatos de bastidores, semanas de trabalho que ultrapassam 70 horas se tornaram comuns no laboratório.

A expectativa dentro da Meta é que o Avocado represente um salto importante na capacidade de seus sistemas de IA, funcionando como base para novos produtos e serviços digitais.

A estratégia inesperada de recorrer ao Gemini

Enquanto o novo modelo não fica pronto, a Meta analisa uma solução provisória: usar a tecnologia Gemini, criada pelo Google, para reforçar seus próprios sistemas de inteligência artificial.

Essa possível parceria não surge do nada. Nos últimos meses, a Meta já firmou acordos para utilizar as TPUs do Google, chips especializados no treinamento de modelos de IA.

Além disso, engenheiros da empresa chegaram a discutir a possibilidade de ajustar versões do Gemini com dados de publicidade da Meta, o que poderia melhorar a segmentação de anúncios na plataforma.

Investimentos gigantes e expectativas altas

O atraso do Avocado acontece em meio a investimentos históricos. A Meta projeta gastar pelo menos 115 bilhões de dólares em infraestrutura e desenvolvimento de IA até 2026.

Esse valor gigantesco aumenta a pressão para que os novos modelos realmente entreguem resultados competitivos. Para muitos analistas do setor, o desempenho do Avocado será um verdadeiro teste para saber se a estratégia de Zuckerberg na inteligência artificial está no caminho certo.

Se o modelo finalmente chegar ao mercado em maio, ele poderá marcar um novo capítulo na disputa entre as gigantes da tecnologia que tentam liderar a próxima geração de IA.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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