Google em negociações com empresas chinesas para equipamentos de refrigeração de data centers de IA

Renê Fraga
4 min de leitura

Principais destaques

  • Google negocia com empresas chinesas para garantir sistemas de resfriamento líquido
  • Explosão da inteligência artificial pressiona cadeias de suprimentos além dos chips
  • Mercado de refrigeração para IA cresce rapidamente e já enfrenta gargalos

O Google, controlado pela Alphabet, iniciou conversas com fabricantes chineses de tecnologia para adquirir equipamentos de resfriamento líquido voltados a data centers de inteligência artificial.

A movimentação acontece em um momento em que a demanda por infraestrutura de IA cresce de forma acelerada e começa a afetar não apenas semicondutores, mas também componentes essenciais como sistemas de refrigeração.

Segundo informações divulgadas pela Reuters, uma equipe de compras ligada às operações da empresa em Taiwan viajou recentemente à China para հանդիպar possíveis fornecedores. Entre eles está a Envicool, que já participou de reuniões e pode fornecer equipamentos sob medida para os centros de dados do Google.

A pressão da IA vai além dos chips

A expansão da inteligência artificial está criando novos desafios para a infraestrutura global. Com processadores cada vez mais potentes, o calor gerado dentro dos servidores aumentou significativamente, tornando o resfriamento líquido praticamente indispensável.

Diferente dos sistemas tradicionais a ar, essa tecnologia utiliza fluidos para dissipar calor diretamente dos componentes, garantindo eficiência energética e estabilidade operacional. Com isso, o setor deixou de ser secundário e passou a ocupar posição estratégica na corrida pela IA.

Estimativas de mercado indicam que esse segmento deve mais que dobrar de valor em pouco tempo, impulsionado principalmente por empresas de nuvem e fabricantes de chips que desenvolvem soluções específicas para inteligência artificial.

Envicool ganha protagonismo no setor

A Envicool tem se destacado como uma das principais fornecedoras nesse mercado. Fundada em 2005, a empresa vem apresentando forte crescimento e já desenvolveu equipamentos personalizados para atender às exigências do Google.

Entre os produtos apresentados está uma unidade de distribuição de líquido refrigerante, responsável por direcionar o fluido dentro dos racks de servidores. Esse tipo de solução é essencial para manter o desempenho de sistemas de IA em larga escala.

Além disso, a empresa está ampliando sua capacidade produtiva, com novos projetos industriais na China e expansão internacional, incluindo operações na Tailândia e nos Estados Unidos.

Fornecedores chineses avançam globalmente

O avanço de fabricantes chineses nesse setor não é por acaso. O crescimento acelerado da infraestrutura digital na China permitiu que essas empresas ganhassem escala e reduzissem custos, tornando-se competitivas no cenário global.

Outras companhias do país também vêm se destacando, fornecendo desde componentes de resfriamento até tecnologias complementares usadas em data centers de IA. Muitas delas já atendem grandes clientes internacionais.

Mesmo em meio a tensões comerciais entre Estados Unidos e China, o movimento do Google evidencia uma realidade prática: a construção da infraestrutura global de inteligência artificial depende de uma cadeia de suprimentos internacional e altamente interconectada.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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