Apple pode ser a maior prejudicada com a possível venda do Google Chrome

Renê Fraga
3 min de leitura

Uma decisão do Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ) pode impactar não apenas o Google, mas também a Apple de forma significativa.

Segundo o jornal The Washington Post, o governo dos EUA manteve a proposta da administração Biden para dividir o negócio de buscas do Google, forçando a venda do navegador Chrome.

Essa medida visa reduzir o domínio da empresa no mercado de pesquisas online, mas traz consequências inesperadas para a Apple.

O caso ganhou força em agosto de 2024, quando o juiz federal Amit Mehta determinou que o Google mantém práticas monopolistas no setor de buscas.

Como solução, a empresa pode ser obrigada a vender o Chrome, permitindo que um novo concorrente opere um navegador sem influência direta do Google. O DOJ reforçou essa ideia recentemente, afirmando que essa mudança abriria espaço para maior concorrência na internet.

Se a venda do Chrome realmente acontecer, o impacto será gigantesco. Atualmente, o navegador tem mais de 66% de participação no mercado global, sendo uma peça-chave para o Google manter sua dominância nas buscas.

No entanto, para a Apple, a consequência pode ser uma perda de US$ 20 bilhões em receitas. Isso porque o Google paga essa quantia anualmente para ser o mecanismo de busca padrão no Safari, o navegador oficial dos dispositivos Apple.

Caso o Chrome se torne independente, esse acordo pode deixar de existir.

Diante desse cenário, a Apple já tentou intervir no processo. Em janeiro, a empresa entrou com um pedido emergencial para suspender o caso, alegando que seus interesses não estavam sendo levados em consideração. O juiz Mehta rejeitou a solicitação, mas permitiu que a Apple apresentasse seus argumentos após as audiências.

A empresa já deixou claro que não pretende criar um mecanismo de busca próprio para competir com o Google, defendendo o acordo atual como essencial.

No entanto, há rumores de que a Apple vem explorando a criação de uma tecnologia de busca poderosa, talvez como uma forma de se proteger no futuro.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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